Eleitores são prejudicados pela campanha de rua

A campanha eleitoral de 2012 sofreu várias alterações em relação às anteriores. Foram proibidos os famosos cartazes lambe-lambes fixados em locais públicos, a compra de publicidade em patrimônio privado, a distribuição de brindes e outros dos métodos mais utilizados para conquistar votos. (Veja o documento com a resolução do Tribunal Superior Eleitoral para essas eleições na íntegra aqui).

A poluição visual, no fim das contas, diminuiu. Nem os santinhos são vistos por aí em tanta quantidade e tem até candidato se auto-promovendo por não fazer campanha de rua. No entanto, Curitiba ainda não parece agradável para todo mundo. Nas redes sociais, centenas de páginas pedem para que os internautas lutem por cidades mais limpas em ano eleitoral – e eles aderem.

Nas ruas, pode-se ver o resultado da indignação: cavaletes derrubados, rasgados e/ou quebrados. A aposentada Inácia Marli Tavares, 53, é uma dessas pessoas que assumem chutar esse tipo de material. Isso porque o irmão dela, Laércio augusto Purkotte, 58, é deficiente visual, já tropeçou várias vezes em cavaletes e não teve o seu problema resolvido. “Eu ligo para o TRE e eles me dizem para mandar fotos das irregularidades. Mas e se eu não tenho ou não uso a internet? E o meu irmão que também é cidadão e não pode tirar essas fotos?”, questiona Inácia.

De acordo com o promotor eleitoral Armando Sobreiro, do Ministério Público, cavaletes não podem atrapalhar o trânsito de pessoas e veículos, além de não ser permitida a permanência desse material nas ruas antes das 6h e depois das 22h. “Os cidadãos têm o direito de denunciar ilicitudes através da Justiça Eleitoral, do Fórum Eleitoral, do Ministério Público ou dos movimentos sociais”, diz. Já depredar a propaganda lícita de qualquer candidato constitui crime previsto no código eleitoral. “Quem for pego numa dessas ações, pode ser preso em flagrante”, alerta o promotor.

Outra polêmica está relacionada às pessoas que empunham bandeiras de candidatos nas esquinas. O artigo 100 da Lei das Eleições prevê que esse tipo de contratação “não gera vínculo empregatício com o candidato ou partido contratantes”, o que os isenta da responsabilização por acidentes de trabalho.

Uma das colaboradoras da campanha do candidato Luciano Ducci, que não quis se identificar, afirmou que recebe 50 reais por dia para trabalhar 6 horas, com sol ou garoa. “A gente só pode parar se chover muito”, disse. Quando questionada sobre os incômodos de sua função, queixou-se da dor nos braços que sentia no começo. “Depende do peso do cano também, alguns são bem pesados, mas hoje eu já estou mais acostumada”. Depois discorreu acerca das “cantadas” que recebe dos motoristas e finalizou afirmando que não se incomoda. “O que eu não gosto é de grudar adesivos nos carros quando eles param no sinal. Aí sim o pessoal fica bravo e desconta na gente, que está trabalhando”.

De acordo com o especialista em medicina do trabalho, Paulo dos Santos, esse tipo de atividade possui um problema ergonômico, ou seja, não respeita a limitação física, cognitiva e/ou psicológica do executor. “Existem ainda outros riscos de acidentes na função, como o de uma das bandeiras pegar num fio de alta tensão”, exemplifica.

Em dias de temperatura elevada, trabalhadores ficam expostos ao sol. Foto: Jéssica Carvalho

Contatamos os comitês dos quatro principais candidatos para saber como o chamado “trabalho de bandeira” é utilizado em suas campanhas e se os contratos dos colaboradores incluem alguma cláusula de segurança. A assessoria de Luciano Ducci (PSB) disse que o candidato tem pessoas na rua fazendo esse trabalho diariamente, mas não soube informar quantas ou qual é a remuneração. Sobre a responsabilização pela segurança dos trabalhadores, afirmou apenas que seguem a lei à risca.

A assessoria de Gustavo Fruet (PDT) afirmou que o candidato só utiliza o trabalho de bandeira em eventos especiais e não diariamente, além de incluir cláusulas de segurança nos contratos (cláusulas essas que não puderam ser informadas em função do horário de atendimento do setor jurídico). A assessoria de Ratinho Jr. (PSC) disse que a campanha também não conta diariamente com pessoas na rua fazendo esse trabalho a pedido do candidato e não soube dar outras informações. A assessoria de Greca (PMDB) declarou não estar trabalhando com a campanha de rua nessas eleições.

Jéssica Carvalho, 8º período

*Com colaboração de Danilo Georgete

A última edição do Tela UN Eleições também teve como tema a propaganda eleitoral. Nela, você confere a entrevista com o publicitário Luiz Henrique Groff, que explica quais são as melhores estratégias publicitárias para as campanhas dos candidatos, além de saber mais sobre a proibição dos showmícios e o andamento das campanhas nas redes sociais.

Um comentário em “Eleitores são prejudicados pela campanha de rua

  • 12 de setembro de 2012 em 16:21
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    Considero um absurdo a utilização destes cavaletes, pois com o vento muitos deles acabam no meio da rua ocasionando acidentes.

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