Segundo especialistas, os impactos psicológicos causados pela crise do coronavírus podem ser maiores que os econômicos, em profissionais autônomos

Um dos grupos que mais vai sofrer com as conseqüências da crise são os trabalhadores autônomos e informais, que, segundo o IBGE, são mais de 24 milhões de pessoas no Brasil. Portanto, especialistas temem que o índice de depressão aumente após a pandemia

 

 

 

O isolamento social pode causar efeitos negativos na saúde mental da população, e a forma como estes podem se apresentar é diferente para cada indivíduo. É o que afirma a equipe de psicólogos do Serviço de Informação e Apoio ao Estudante (SIAE) da Universidade Positivo. Desta forma, muitos profissionais autônomos estão sem trabalhar devido à pandemia da Covid-19, o que causa problemas financeiros, e também psicológicos aos trabalhadores. A preocupação é um sintoma predominante, já que grande parte deles depende da renda diária ou semanal para manter sua família.

O autônomo Wilton Ribeiro dos Santos, de 47 anos, diz que dificilmente os profissionais autônomos têm condições de ter uma poupança, e que nesse momento de quarentena, a pouca renda que lhe restou está indo embora rapidamente e sem retorno. “Quando você sai de casa para trabalhar, sabe o que está faltando e o que precisa comprar quando entrar algum dinheiro. E agora, como você não vê entrando, só vê saindo, a coisa é preocupante e o psicológico da pessoa abala completamente”, afirma o entrevistado, que se sente aflito por não saber quando poderá sair novamente para trabalhar.

As reações psicológicas sobre as incertezas do futuro podem ser inesperadas, podendo causar ansiedade e pânico, segundo a equipe do SIAE, e também é comum o desenvolvimento de irritabilidade, estresse, insônia e sintomas de depressão. Já que a preocupação financeira que vem sendo muito discutida nos últimos meses, afeta principalmente donos de pequenas empresas e trabalhadores informais. Isso é o principal motivo a levar uma parte da população a ser contra o distanciamento social e a paralisação dos serviços não essenciais recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Os cuidados com a saúde mental sempre foram julgados pela maioria da população como desnecessários, porém, principalmente nesse momento de distanciamento social, é importante ter um controle mental em dia. A orientação dos psicólogos é que se deve ficar atento aos sentimentos e emoções, procurar as atividades que trazem o bem-estar físico e mental, e ao identificá-las deve-se buscar praticá-las o máximo possível. Usar a tecnologia para tentar se aproximar da antiga rotina, como conversar com amigos, realizar atividades profissionais e acadêmicas. Mas, a equipe do SIAE destaca que embora essas atividades possam diminuir o estresse e a ansiedade, elas “podem despertar em cada um sentimento distintos”.

Mesmo com apoios psicológicos ou cuidados dentro de casa, os índices de depressão e problemas mentais tendem a aumentar após a pandemia. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o Brasil é o país com maior número de pessoas com ansiedade e depressão no mundo, estando mais propício a esse aumento. Para manter uma boa saúde mental, o ser humano necessita interagir uns com os outros, sendo o isolamento social uma das maiores preocupações dos profissionais de psicologia no momento. No entanto, os trabalhadores autônomos são um dos grupos que podem sofrer maiores efeitos psicológicos após a pandemia, como angústia e trauma.

É essencial que autônomos tenham um acompanhamento psicológico, já que, por trabalharem sozinhos, precisam se dedicar a várias coisas ao mesmo tempo. Além disso, muitos sofrem com a insegurança profissional, que desencadeia em uma série de sentimentos, causando uma instabilidade emocional. Sendo assim, se muitos deles já tivessem um apoio psicológico antes da pandemia, os efeitos causados por ela poderiam ser menores. “Procure pensar que esta situação que todos estão vivendo é transitória e que você possui planos e metas de vida que vão além deste momento”, é o que recomenda a equipe de psicólogos do SIAE.

*Equipe de psicólogos do Serviço de Informação e Apoio ao Estudante (SIAE) da Universidade Positivo:

Rejinaldo Jose Chiaradia – Coordenador SIAE
Fernanda Peixoto – Supervisora SIAE
Ana Carolina Baron – Psicóloga Educacional SIAE
Bruna Basile M. V. Correia – Psicóloga Educacional SIAE
Franciele Haline Hoffmann – Psicóloga Educacional SIAE
Marcella Andretta S. M. Wistuba – Psicóloga Educacional SIAE