Lançamentos de coleções e outros serviços da moda são adiados por conta da Covid-19

O novo coronavírus provocou uma pane no mercado fashion e ocasionou o cancelamento de diversos desfiles e coleções previstas para lançamento

 

 

 

 

A pandemia causada pela Covid-19, proveniente da cidade de Wuhan na China, gerou grandes impactos no mundo todo e abalou diversos ramos do mercado de trabalho. Uma das áreas mais afetadas pela pestilência foi a indústria da moda, que necessitou cancelar todos os desfiles programados, além de perder um número significativo de clientes devido a quarentena. A Itália, país com maior número de mortos pelo vírus – aproximadamente 12.000 desde o final de fevereiro – coincidentemente abriga a capital mundial da moda e do design, Milão.

A semana de moda de Milão estava prestes a acontecer quando o vírus surgiu na Itália, a crise obrigou as marcas a tomarem decisões bruscas no último minuto do segundo tempo. Enquanto Giorgio Armani reproduziu o desfile da coleção outono-inverno de portas fechadas, outras marcas optaram por cancelar a apresentação. Em São Paulo, o cenário foi parecido, já que a fashion week que estava marcada para os dias 27 e 28 de abril foi igualmente cancelada. Além disso, varejos da moda também estão sofrendo grande abalo no mercado, lojas como C&A, Riachuello e Renner já tiveram mais de 50% das ações recuadas.

Sem dúvidas, uma das maiores consequências para o mundo fashion, foi o fato da maioria das indústrias de varejo, abastecerem seus suprimentos com produtos oriundos da China, que foram atrasados ou cancelados devido a pandemia. Com isso muitas coleções se perderam e muitos estilistas sofreram severos prejuízos. Ao todo o setor de vestuário no Brasil já registrou uma queda de 11,1% de lucro, isso se deu por conta da baixa necessidade de comprar nesse período, além da dificuldade financeira que o surto acarretou.

Porém, a pós-pandemia tem a possibilidade de ser diferente, é o que defende a dona da marca Citrus, Vitória Ciruelos. Para a empresária o fim do isolamento trará benefícios para a moda, principalmente para os mercados sustentáveis e slow fashion, o que resultará no decaimento do mercado fast, que é representado por lojas como Zara e Benetton. Isso porque o consumidor está procurando cada vez mais formas sustentáveis de consumir produtos da moda, aderindo à alta costura e comprando conscientemente.

Apesar do mundo estar em meio a uma intensa crise, a moda não deixou de fazer parte do dia a dia da população, um exemplo disso são as fábricas italianas do grupo Armani que passaram a produzir macacões médicos para trabalhadores da área da saúde. Outra importante realização é a criação das máscaras de proteção respiratória, as quais já possuem diversas cores e estilos. A costureira Lindacir Xavier, que trabalha em uma empresa de confecção em Santa Catarina, afirma que os artefatos estão sendo cada dia mais procurados “Hoje a demanda por máscaras é sem dúvidas maior que qualquer outra coisa que confeccionamos aqui no estabelecimento”. Tutoriais estilo “do it yourself” – faça você mesmo, também foram criados na internet para auxiliar as pessoas que querem produzir as próprias máscaras dentro de casa, com um excelente custo benefício.

Outro ponto notável necessário destacar é a adaptação das indústrias ao mercado digital. Muitas das lojas físicas passaram a vender online, com o propósito de facilitar o acesso para os consumidores e de recuperar o lucro perdido. Para Vitória, é de extrema importância que as lojas se inovem no digital, mas sem grandes investimentos. Ela acredita que é tempo de improvisar e não de arriscar em valores muito altos para não correr o risco de aumentar ainda mais o prejuízo, “Vender pelo direct do Instagram é uma saída sem custos extras e que tem se mostrado muito eficiente para diversas marcas, vale tentar!”, reforça.

Mesmo no momento complicado que o mundo está vivendo, Lindacir e Vitória estão esperançosas quanto ao futuro da moda. Para ambas o mercado irá se transformar, mas vai dar a volta por cima. “Moda é e sempre foi essencial, por mais que o consumidor esteja financeiramente “quebrado”, creio que quando tudo voltar ao normal, moda será um dos primeiros gastos da lista. A forma de se vestir está diretamente ligada com a autoestima das pessoas, e é esperado que depois de tanto tempo em casa, o consumidor queira arrasar no look em cada saída”, afirma a empresária.