“Não faço a mínima ideia de como vai ficar o calendário pro resto do ano”, diz atleta

Assim como outros atletas, Yan Santos nem imagina quando os esportes podem retornar. Mas persiste realizando treinamentos em casa durante a quarentena

Por Maria Luiza Lendzion Schultz e Victor Luis Felix da Silva

A Covid-19 parou o mundo todo e está afetando diretamente o mundo dos esportes. Atletas de todos os países precisaram adaptar seus treinos, visto que, por causa do vírus, todos as modalidades foram paralisadas. A disposição e a alimentação está sendo o principal desafio, afinal, permanecer saudável estando em casa isolado é difícil para qualquer um. Yan Rodrigues dos Santos e Yasmin Bednarczuk de Lara tentam manter suas rotinas de treino durante o isolamento.

Yan Santos tem 19 anos e é jogador de futebol. Pertence a base do Coritiba e atualmente está emprestado à equipe paulista da Ponte Preta, equipe que defende desde o ano passado. Com a quarentena, Yan é mais um atleta que precisa lidar com a rotina de treinamentos em casa, além de cuidar de sua alimentação. “Tirando o café da manhã, estou fazendo todas as outras refeições conforme tem que ser, se alimentando bem. Devido eu estar acordando próximo da hora do almoço praticamente todos os dias, não estou tomando o café, mas estou começando a mudar minha rotina para começar a tomar por ser bastante importante. E por estar em casa, nas horas fora das refeições, às vezes dou uma exagerada nas besteiras”, diz Yan.

Priscila Wildner tem mestrado em nutrição e é pós-graduada em Nutrição Esportiva Funcional. Segundo ela durante o isolamento é importante que os atletas evitem alimentos inflamatórios, os quais estão correlacionados com a diminuição da imunidade. São eles: açúcares refinados, farinhas refinadas, bebidas alcoólicas, fast foods, alimentos industrializados e gorduras.

Yasmin Lara tem 20 anos de idade e é atleta da equipe do Curitiba Vôlei que disputa atualmente a superliga feminina de voleibol. Yasmin conta que sua alimentação permanece boa mesmo com o isolamento, e que agora tem mais tempo para se dedicar às refeições, algo que sempre gostou de fazer.

A nutricionista Priscila fala que um aporte suficiente de carboidratos e proteínas mesmo que em período de descanso é muito importante, porque ele auxilia na manutenção da composição corporal. Porém, ainda é de suma importância o acompanhamento de um profissional da área junto ao atleta.

Para Yasmin, o foco tem sido fundamental para manter a rotina de treino em casa. A parte técnica tem sido sua maior dificuldade, já na parte física ela realiza algumas adaptações, como o uso de elásticos, sacos de arroz e outros objetos que possam ajudar a cumprir os exercícios. Mesmo treinando sozinha, ela possui acompanhamento de todos os preparadores físicos do clube. O foco também é crucial para manter a rotina de treinos de Yan. “Como não há horário definido e uma obrigatoriedade igual quando estou no clube, existem muitas situações que podem trazer acomodações. O clube nos recomendou praticamente todos os exercícios que fazíamos regularmente toda semana na academia, além de realizar corridas”, conta Yan.

Karyna I. Chiesurin é fisioterapeuta especialista em medicina chinesa, cursa pós-graduação em ortopedia e traumatologia aplicada em terapia manual. Para ela, os atletas devem continuar seus treinos sempre auxiliados por um profissional, evitando realizar por conta, algo que pode acarretar em lesões. “Geralmente os atletas de alto rendimento possuem recursos de treinamento em casa, e com certeza são orientados a não perder massa magra, precisam manter o tônus muscular”.

Não se tem previsão de quando os esportes em geral irão voltar ao normal, pois para que isto aconteça, os números da doença deverão estar muito baixos ou inexistentes. Até que este dia chegue, se preparar é a palavra chave para estes dois atletas.

“Não faço a mínima ideia de como vai ficar o calendário pro resto do ano”, diz Yan, “Mas de qualquer forma, independente de como irá ficar, estarei almejando meus objetivos como sempre”, completa. A atual temporada da superliga feminina de vôlei foi cancelada e para Yasmin, esta foi uma decisão responsável. “Jogar sem torcida não é jogo, a favor e contra, além disso colocaria todos em riscos, torcedores, atletas, árbitros e comissão técnica, pois precisaríamos estar toda hora em aeroportos e em contato com pessoas de fora”.

“A comissão técnica sempre está reforçando a conscientização da gente cuidar do nosso corpo, pois o nosso sonho é grande. E quando troco uma ideia com meus companheiros de time, é mais sobre a saudade de voltar a jogar.” Conta Yan. Com saudade do campo e com saudade das quadras, Yan e Yasmin esperam ansiosamente que tudo isso passe para que possam voltar à ativa e trazer alegria novamente para muitos torcedores.