Estado de emergência em Curitiba é semelhante ao da Itália e de Portugal

Por conta do novo coronavírus, processos de prevenção, consumo exagerado de produtos de higiene pessoal e outras consequências que surgiram em Curitiba  já aconteceram na Europa

Com 550 casos do novo coronavírus confirmados pela Secretaria da Saúde do Estado do Paraná (SESA-PR), até a quarta-feira (08), Curitiba está em isolamento social, e serviços como educação, comércio e saúde — em casos de diagnósticos simples — são feitos online. Países como Portugal e Itália (epicentro do COVID-19) possuem os mesmos sistemas prevenção que o Paraná, e tiveram consequências semelhantes às que acontecem atualmente no estado.

Curitiba está de portas semi-abertas desde o dia 27 de março. Instituições funcionam em plataformas online, e pequenos comerciantes suspenderam as atividades. Para o professor de design Erick Kampa, da UTFPR, a medida tomada foi ágil e importante, tanto para responder às necessidades que a população necessita no momento, quanto para encorajar alunos e professores. “É importante tanto para os professores quanto para os alunos sentirem que podem impactar a sociedade de forma positiva, e que a universidade não limita só à realidade específica que se vivencia no cotidiano de cada curso individualmente”, explica.

Esquina entre as ruas Visconde do Rio Branco e Augusto Stellfeld, no bairro Mercês, divisa com o Centro, em Curitiba, às 14h30 do dia 28 de março. (Foto: Lucca Bueno/Especial para a RedeTeia.com)

Comércios que são necessários para o abastecimento, como mercados e farmácias, funcionam em menores expedientes, e oferecem acessórios de prevenção ao cliente, durante o período de compras. A entrada nos locais é controlada, para que não haja aglomerações. Essa situação, além de outras que o COVID-19 proporcionou, se repetem em diferentes partes do mundo.

Itália: segundo epicentro do coronavírus

“Aqui na Itália foi bem difícil do pessoal levar a sério o que estava acontecendo”, conta a estudante de Arquitetura e brasileira Luana Meireles. Luana mora em Rende, província da Calábria, há sete meses, e viu a chegada do coronavírus no país. A região da Calábria (sul da Itália) estava com 859 casos confirmados de contágio, segundo o Ministério da Saúde da Itália na quarta-feira (08). “Todo mundo achava que era só uma gripe, que só atingia pessoas que estavam com saúde debilitada, até que casos começaram a aumentar, e houve a quarentena no norte”, comenta.

Segundo Luana, assim que foi decretado quarentena nacional, a universidade pediu que os estudantes retornassem para casa. Policiais circulam pela cidade para fiscalizar os destinos de quem sai às ruas. Para isso, a pessoa deve ter em mãos uma carta, explicando o motivo de ter saído de seu domicílio. “Quando eles te perguntam [sobre a carta], você não precisa nem responder. Você tem que entregar essa carta e eles decidem se você pode ir ou não. Se for um motivo válido, você pode ir, e se não for você volta para casa e tem que pagar uma multa de euros”, explica.

Tarde do dia 28 de março, em Cosenza, província principal da Calábria. Luana retirou a fotografia enquanto se dirigia para o mercado. (Foto: Luana Meirelles/Especial para a RedeTeia.com)

A estudante disse, ainda, que mercados e farmácias funcionam com restrições de entrada, e possuem medidas preventivas semelhantes às utilizadas nos estabelecimentos de Curitiba. Ressaltou também a necessidade de ficar em casa, e manter a higiene básica como hábito constante. “Você tem que ficar em casa, é primordial para que isso acabe logo. Aqui na Itália a gente não respeitou, a gente levou na brincadeira, e agora a gente vai precisar ficar mais de um mês em quarentena só porque a gente não levou a sério as recomendações.”, finalizou.

Quarentena portuguesa

Em Portugal, 13141 pessoas foram confirmadas com o COVID-19 nesta quarta-feira (08), segundo a Direção Geral da Saúde (DGS). “Nós já fomos nos preparando para isso de alguma forma, e nossa mídia já estava a comunicar a toda gente que [o vírus] ‘não chegou, mas vai chegar’”, disse a engenheira geógrafa portuguesa Andreia Dias, residente em Vila Nova, Coimbra. Assim como aconteceu na Itália, em Portugal Andreia percebeu que, no início do contágio, as pessoas continuaram a sair de casa por motivos banais: “continuaram a fazer uma vida normal como se nada fosse”.

No início, houve um movimento de estocagem de produtos por parte da população. “Houve aquela correria louca, numa primeira fase, nos supermercados. Entretanto, o governo veio a desmistificar a ideia de que realmente isso [falta de produtos] ia acontecer. […] Depois, as coisas acalmaram.”, comentou. A única diferença entre os países é que, segundo Andreia, as pessoas estão livres para praticar esportes ao ar livre, dentro das recomendações sobre aglomerações e o contato social.

Mesmo com essa permissão, a engenheira pratica o isolamento voluntário, longe da família e amigos. “Não estou com os meus sobrinhos há mais de duas semanas porque estão em casa, com a mãe e com o pai, de forma que não tenham contato e não corram grandes riscos.”, explicou.

Quais medidas seguir?

Lavar as mãos, usar álcool em gel e manter-se distante de qualquer pessoa a, pelo menos, 1,5 metros já são medidas frisadas na cabeça de todos. Entretanto, alguns produtos, como máscaras e luvas, podem acrescentar à proteção pessoal. Essa ideia foi base para o desabastecimento em mercados, e uso exagerado de álcool em gel.

O professor dr. em Ciência (Bioquímica) da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Emanuel Maltempi de Souza explica que a lavagem correta das mãos já basta para a prevenção. “O vírus tem um camada externa de lipídios ou seja camada de gordura. Quando a camada externa é removida, o vírus é desestabilizado e inativado. […] Sabão é capaz de dissolver gordura e, portanto, é um eficiente agente para eliminar o vírus SARS-CoV-2”, disse. Atentou, ainda, para a atenção após a lavagem, pois “ se depois de lavar muito bem as mãos você abrir a porta tocando na maçaneta contaminada, todo o trabalho estará desfeito”. Além disso, o professor ressaltou que o isolamento social é necessário, para não proliferar o contágio entre pessoas que não possuem sintomas, mas estão contagiadas.

É extremamente importante a manutenção dessas medidas. Acompanhe atualizações sobre o novo coronavírus, e siga as instruções do Ministério da Saúde, e demais órgãos responsáveis.

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