JEDICON: Sobre Jedis, tiro ao alvo e mães entusiasmadas

Por dentro de como foi a 10ª edição da JEDICON PR, a maior convenção da saga Star Wars no Paraná

No último sábado, 14, o Museu Municipal de Arte de Curitiba, localizado em frente ao terminal do Portão, recebeu a 10ª edição da JEDICON-PR 2019, a maior convenção do estado do Paraná da saga Star Wars. Esse evento acontece desde 2005, e atrai fãs do universo criado por George Lucas, e de cultura geek de modo geral.

A abertura oficial está marcada para agora, às 10h. O tempo ainda está se abrindo. Faz calor, mas não há sol visível  é aquele típico dia curitibano: se você veste uma camisa, está tudo certo, você vai ficar bem; e se você colocar um suéter ou uma blusa, está tudo bem também, não vão te julgar, pois talvez seja mesmo necessário ao fim do dia .

Crianças e adultos se caracterizaram dos mais diversos personagens da saga Star Wars (Foto: Victoria Sampaio/RedeTeia.com)

Logo na entrada, é possível ver um brinquedo inflável ganhando forma aos poucos, como um monstro de ar que acaba de despertar de uma noite de sono, e que dali, a poucos instantes, se transformará numa arena de batalha, onde duas pessoas ficam em cima de dois suportes, separadas por cerca de 1m de distância, no centro da arena. Com bastões coloridos de espuma, o objetivo é derrubar o oponente; quem cair primeiro perde. 

Duas garotas pré-adolescentes estavam hesitantes e diplomáticas em sua batalha. Depois de quatro minutos, o bate e volta em slow motion dos bastões coloridos tornou-se tedioso e foi preciso que uma das instrutoras uma descendente asiática, de mais ou menos 1,60m e de óculos de grau, super sorridente pulasse e pulasse no brinquedo inflável para dar uma ajudinha a fim de facilitar a queda de uma das garotas. Por fim as duas foram para a lona. Depois disso, subiram dois garotos mais velhos, e, como se eles quisessem impressionar o pequeno público, foi só a instrutora falar o “um, dois, três e já”, eles começaram a duelar ferozmente, com movimentos rápidos e fortes – deu até pra escutar o bastão vermelho batendo nas costelas de um dos garotos.

Arena Jedi, uma das várias atrações gratuitas da JEDICON PR 2019 (Foto: Victoria Sampaio/RedeTeia.com)

Ao entrar no local, você tem algumas principais possibilidades. Seguir em frente, contar vinte e um pequenos passos e chegar ao fim do recinto. Ou virar a direita e se deparar com várias miniaturas de naves e bonecos de lego expostas dentro de cubos transparentes, em uma sala de vidro. À esquerda, passando por mesas com produtos a venda, uma mesa de pintura facial e um estande de tiro, encontra-se uma biblioteca calma, silenciosa, uma ala que parece indiferente ao evento. Existe também a possibilidade se descer um andar, e de subir um anda mas não há nada lá além de mesas de jogos de RPG. 

Se você seguir em frente passará primeiro por uma mesa onde se vende produtos como chaveiros, canecas e camisas temáticas. Na sala de vidro, além das esculturas feitas de lego, há uma caixa de madeira de mais dois metros de altura, onde se pode tirar fotos a fim de parecer um action figure (brinquedo colecionável) dentro de uma caixa. 

Cosplayer do personagem Kylo Ren, posando para fotos na cabine de Action Figures (Foto: Victoria Sampaio/RedeTeia.com)

Agora você sai da sala e vai para a parte externa, nos fundos. Há um total de 12 estandes, um ao lado do outro, expondo produtos para vendas. Ao se deparar com tantos artigos legais como o martelo do Thor, varinhas em tamanho real e de madeira de verdade dos personagens da saga Harry Potter, ecobags personalizadas, quadros, livros, Hq’s, chaveiros, xícaras de café… —, é impossível conter o desejo de ter muito dinheiro para sair dali cheio de sacolas.

Na ala esquerda, ao lado da biblioteca, atrás de uma escada de concreto que leva ao andar superior, existe um estande de tiro de arma nerf uma arma de plástico que atira dardos de espuma, mas que tem uma potência razoável; presumo que um projétil pode alcançar um alvo a uma distância de uns 15 metros, a uma velocidade de 60 km/h . Aproximei-me, “posso atirar?”. “É claro”, diz o instrutor, “é só escolher uma arma”. Na mesa tem três variações de arma. Uma pistola de cano longo laranja; a outra mais robusta, onde para segura-lá é necessário usar as duas mãos; a terceira tem o mesmo estilo robusto, mas é preta e camuflada. Escolho essa. O instrutor dá missão: acertar o Darth Vader. O primeiro tiro passou longe. O segundo tiro atingiu a plaquinha com a cara do vilão, mas o instrutor adverte “tem que derrubar a placa, encostar não vale”. Ok. Prendo a respiração, aproximo o rosto na arma, fecho um olho para melhorar a mira, e atiro… BOOM! Bem na testa do capacete do Lord Sith Darth Vader: a placa dessa vez caiu. “Muito bom”, disse o instrutor, que em seguida colou um adesivo verde com inscrições vermelho e branco no lado esquerdo do meu casaco, como uma insígnia. É muito bom a sensação de acertar o alvo.

Cosplayers e crianças no estande de tiro, atração gratuita da JEDICON PR (Foto: Luiz Felipe Cunha/RedeTeia.com)

Ainda ali por perto, na parte esquerda do recinto, tem uma mesa onde uma mulher (com o rosto pintado de vermelho e com metade da cabeça raspada e os braços inteiramente tatuados) está fazendo uma pintura na face de um garotinho. Ele parece muito feliz, acompanhando por um espelhinho à sua frente o seu pequeno rosto se transformar, pincelada a pincelada, na figura do mestre Yoda. Por isso a moça está caprichando na quantidade de tinta verde. “Tá ficando bom, pai?” pergunta a artista ao pai do garoto, que observa tudo do canto. “Muito bom”, diz o pai. “Agora só falta as orelhas, como a gente vai fazer suas orelhas?” questiona a artista. O garoto dá de ombros. “Já sei”, diz a artista. Ela pega um monte de papel sulfite e desenha as orelhas pontudas do mestre Jedi, e em seguida recorta deixando uma abertura para encaixar nas orelhas do menino. Eles ficam felizes pela ideia.

É meio do dia e está um pouco difícil de caminhar pelo evento sem não se esgueirar pelos cantos para evitar esbarrar em alguém. Uma boa olhada e você vai perceber que a maioria do público segue um padrão. São garotos, usando óculos de grau e camisas com estampas de naves espaciais, robôs, Darth Vader’s e sabres de luz. Outro grupo perceptível são os cosplayers. Adultos e crianças, garotos e garotas, vestindo capas, máscaras de plástico ou de tinta e segurando sabres de luz ou armas de brinquedo na mão. Dá pra sentir a alegria deles em estarem vestidos iguais aos seus personagens preferidos e atuarem conforme a personalidade vista nos filmes. Alguns levam a brincadeira tão a sério que parece realmente que saíram da tela dos cinemas, esses são interrompidos a todo o momento pelos visitantes com a frase “posso tirar uma foto?” 

Da esquerda para a direita, os personagens: Kylo Ren, Jaina Solo, Darth Vader, Jedi, Jawa e Sith (Foto: Victoria Sampaio/RedeTeia.com)

Esse lance de cosplay é tão sério que houve até uma competição com categoria infantil e adulta. Aconteceu no andar inferior, em um pequeno teatro do Museu Municipal de Arte (MUMA). No palco iluminado, as crianças foram entrando uma a uma, algumas tímidas, outras mais soltas, que até encenavam movimentos de combate e receberam aplausos incessantemente pelo público e seus pais, que davam gritos estridentes e soltavam frases do tipo “é isso, aí, esse é meu filho”. Teve uma mãe entusiasmada que encenou uma luta com o seu filho. O garotinho subiu no palco, com uma capa e vestimenta toda preta, um sabre de luz vermelho e, fazendo gestos agressivos, ele disse: “eu sou Kylo Ren, neto do grande Lord Darth Vader”. A mãe do garoto apareceu na beirada do palco e exclamou: “você não é Darth Vader. Você é apenas uma criança com uma máscara”. O garoto, então, deu um grito raivoso, empunhou seu sabre de luz vermelho e passou no pescoço da mulher. A mãe caiu desfalecida na beira do palco. Todos aplaudiram.

Pequeno Kylo Ren, que encenou um diálogo com a mãe no momento do concurso cosplay infantil (Foto: Victoria Sampaio/RedeTeia.com)

Agora são 19h. A maior convenção de Star Wars do estado vai se encerrar. O céu já está escuro, mas o clima ainda é agradável camisa ou casaco, tanto faz . Ao fim, é possível concluir que esse evento é um lugar onde as pessoas podem ser outras pessoas por um dia. Podem encontrar outras pessoas que compartilham do mesmo sentimento, dos mesmos conhecimentos, dos mesmos hobbies, mesmo gostos. É como uma grande bolha com hora marcada para iniciar e hora marcada para se estourar.

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