“A nossa criatividade tem que ser remunerada”, diz Daiane Fardin aos futuros jornalistas

Daiane Fardin dá 12 dicas para todos os jornalistas iniciantes, além de contar um pouco mais da sua história e compartilhar suas expectativas diante do jornalismo

Num dia, entrevistando atores globais, como Juliana Paes e Reynaldo Gianecchini. No outro, atendendo a plateia com toda atenção e humildade. Assim é Daiane da Silva Fardin. Aos 35 anos, a jornalista Daiane Fardin atua na RPC desde 2006. A curitibana foi apresentadora do jornal local de Guarapuava, e depois de Cascavel. Em 2011, mudou para o entretenimento, apresentando o quadro Casos e Causos, na Revista RPC. Desde 2015, é apresentadora do programa Estúdio C: o único programa com plateia de todas as afiliadas da Rede Globo.

Ela é formada em Jornalismo pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, e pós-graduada em Jornalismo Empresarial pela Universidade Curitiba. Além da área televisiva, Daiane empreende nos ramos de locução, mídia digital, publicidade, vídeo institucional e mestre de cerimônia em eventos, como o Prêmio Revista Veja, em 2018. A apresentadora já participou dos programas: Caldeirão do Hulk, Mais Você, Criança Esperança e Encontro com Fátima Bernardes. Daiane Fardin conta um pouco mais acerca de sua trajetória, divide suas expectativas sobre o jornalismo e ainda fornece dicas para quem está iniciando a carreira.

O curso de jornalismo era o que você esperava? O que te surpreendeu e o que te desanimou?

A gente entra na faculdade imaginando com o que queremos trabalhar, e não o que vamos ter que estudar para trabalhar com aquilo que desejamos. Para mim foi bom, eu me diverti bastante, fiz grandes amizades, aprendi muitas coisas que eu nem imaginava. A parte prática era a que eu mais gostava, como rádio e fotojornalismo. Então, da parte teórica, não era todo conteúdo que eu curtia. Na verdade, o curso foi o que eu esperava, porque nos 4 anos a gente aprendeu a escrever, aprendeu sobre as teorias de comunicação, como você se comportar com diferentes públicos. Foi um grande aprendizado. Para a parte prática, não tinha todos os recursos na época, isso deixou um pouco a desejar. Mas eu sabia com o que eu queria trabalhar. Meu foco era: terminar a faculdade e fazer o que eu amo. 

De que maneira a pós-graduação em Jornalismo Empresarial contribuiu para a sua formação?

Quando eu saí da faculdade, eu senti que faltava alguma coisa. Fiquei pensando se eu quisesse ser dona do meu negócio, montar algo diferente. Então fui fazer Jornalismo Empresarial, com a mentalidade de ser uma empreendedora. Foi ótimo, porque eu tive muita troca de contato, conheci muita gente que já trabalhava no ramo, em assessoria de comunicação, algo que eu pensava em trabalhar. Eu aprendi a ver mais o jornalismo como um negócio, e além disso, aprendi algo muito importante: nós somos donos de ideias, a nossa criatividade tem que ser remunerada. Você trabalha com isso. Isto custa dinheiro. Enfim, eu aprendi a valorizar o meu trabalho. 

Você já teve alguma experiência frustrante ou algo que gerou críticas durante sua trajetória? Se sim, como você lidou com isso? 

Quem trabalha com vídeo, obviamente está ali para ser cobrado. Tem gente que já julgou meu trabalho, muitas vezes por comportamentos. Tudo na minha vida tem sido um aprendizado, assim como tem a pessoa que vai te criticar, tem a pessoa que vai gostar. Então eu sempre encaro desse jeito: será que isso é verdade? Eu preciso melhorar? Ou será que essa pessoa está fazendo uma crítica vazia só para me magoar? Crítica você recebe, só que você tem que saber levar essa crítica como aprendizado e crescimento. Mas você também não pode se perder nisso, porque aquela pessoa não sabe a sua verdade. Sempre vai ter algum comentário. Quando você ama o que faz, não é o que o outro acha de você que pode te abalar. Você tem que acreditar no que faz, ser você mesmo.

Qual foi a reportagem mais difícil que você fez até agora? E por quê?

Eu fui escalada uma vez para cobrir um caso de política em Prudentópolis. Para mim, foi muito difícil, porque eu estava começando no jornalismo, estava tendo uma crise na cidade, eu tive que cobrir até de noite, e nossa equipe foi meio ameaçada. Então, eu acho que foi a reportagem mais difícil que eu já fiz, mas fui com a cara e com a coragem. Mesmo sem entender direito o que estava realmente acontecendo, você tem que ir lá e se jogar. Na época em que eu trabalhava com jornal local, eu fazia de tudo um pouco, com isso eu aprendi muita coisa. E por mais que a equipe era pequena, a gente tinha que fazer de tudo para poder apurar as informações, sempre ver os dois lados, e sair para a rua.

Como é trabalhar com entretenimento e o que você busca agregar às pessoas através dele no Estúdio C?

O entretenimento mexe com o que a pessoa está sentindo naquele momento. Às vezes a pessoa está meio chateada em casa, vê uma matéria divertida ou emocionante, e ela se emociona junto, se identifica. É difícil trabalhar com o sentimento das pessoas. Por isso, quando você faz entretenimento é complicado, porque você não trabalha com o fato pronto. Você precisa pensar no que as pessoas querem ver em casa, o que vai ser interessante. Algo criativo, de um modo que a pessoa veja. Porque não é sobre o tempo, nem o trânsito. Por que ela vai parar para assistir? Então, eu procuro conversar com as pessoas através do coração. E o Estúdio C vai em lugares que as pessoas não podem ir, em muitas das vezes, com exclusividade. O nosso foco é mostrar diferentes personalidades, valorizando o personagem inspirador e divertido, e trazer a curiosidade daquela cidade, tocando o coração das pessoas.

Tem algum projeto em mente para os próximos anos que pretende realizar? E se o Estúdio C acabasse, o que você faria?

Eu tenho algumas ideias de programas novos, que ainda não posso falar. Sempre estou pensando em projetos novos, no que eu posso fazer que não seja o Estúdio C, dentro da RPC. Por enquanto, eu tenho pensado em trabalhos na RPC, com diferentes focos, ainda no entretenimento. Um trabalho que eu tenho me encontrado recentemente é na apresentação de eventos. Eu gosto de estar junto nesse momento, porque é muito legal conhecer a história de uma empresa, por exemplo, para poder contar e comemorar com as pessoas naquele dia. E se não existisse mais o Estúdio C, como eu amo muito conversar com o público, contar histórias, eu montaria um próprio programa, em que eu pudesse vender conteúdo, viajando e conhecendo pessoas.

Como você imagina o futuro do jornalismo com o avanço da tecnologia?

Antes, não tinha essa possibilidade de todo mundo ser repórter, participar e enviar conteúdo. Existia apenas um emissor para várias pessoas. Hoje, as pessoas têm vários canais de comunicação para encontrar notícias. A grande briga é para dizer o que é verdade e o que é mentira. Infelizmente, com este processo, alguns canais que eram fortes na credibilidade, acabam se perdendo, porque é tanta coisa acontecendo, e muita gente emitindo a sua versão da notícia. Mas eu acredito que, no futuro, como a tecnologia facilita cada vez mais o acesso à informação, haverá a retomada da imparcialidade do jornalismo, e assim, as pessoas vão conseguir cruzar as informações e provar a veracidade das notícias. E quem vai ganhar com isso serão os jornalistas que vão estar apurando os dois lados, e tentando manter a imparcialidade, que hoje em dia a gente vê que é muito difícil. Parece utópico, mas eu acredito que as pessoas vão buscar essa imparcialidade. 

Quais são as principais lições que você poderia passar para quem está começando a carreira de jornalista?

 

  • Seja humilde, você está começando. Deixe as pessoas falarem o que elas pensam de você, saiba escutar.
  • Reconheça seus erros e assuma. Você pode aprender com isso.
  • Entenda que tem outras pessoas que vieram antes de você e são mais experientes.
  • Você veio para somar e não ocupar o lugar de alguém.
  • Faça networking.

 

    • Saiba cobrar pelas suas ideias.
    • Aprenda a expor melhor o seu trabalho.
    • Deixe claro desde o início o que você quer fazer, em que área pretende atuar. Se expresse.
    • Se assista/ se ouça quantas vezes for preciso. Você tem sempre a melhorar.
    • Pesquise o máximo que puder.
    • Não tenha vergonha dos seus colegas de trabalho, como na hora de fazer ligações para entrevistas peculiares. Se você tem vergonha até deles, como vai lidar com o público?

 

  • Opte pelo contato pessoal. Por e-mail todo mundo é igual, deixe as pessoas verem quem você é. Assim você terá mais chances no mercado de trabalho.

 

 

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