Histórias paranaenses marcadas nos metais

Barão do Rio Branco, Maria Lata D’água e outras personalidades paranaenses estão presentes em Curitiba através de estátuas, muitas vezes despercebidas

Estátuas são comuns de serem encontradas por toda a cidade de Curitiba, principalmente em locais públicos, como praças (que também contam histórias através do seu nome). Com frequência, as pessoas passam por perto e, na correria do dia a dia, nem sequer sabem quem foram as estátuas, e quais suas histórias. Por exemplo, José Maria da Silva Paranhos Júnior, mais conhecido como Barão do Rio Branco. 

O Barão do Rio Branco foi um advogado, diplomata, geógrafo, professor, jornalista e historiador brasileiro. Foi um dos responsáveis por demarcar os limites, de forma pacífica, do Brasil com o Uruguai, a Bolívia, o Peru e a Argentina, além de também ser o responsável por fazer com que as terras do Acre pertencessem ao Brasil. Morreu em 1912, aos 67 anos, por conta de problemas renais. Há um monumento em sua homenagem na Praça Generoso Marques, em frente ao Paço da Liberdade, no centro de Curitiba, no qual foi esculpida por Rodolpho Bernardelli e inaugurada em 19 de dezembro de 1914.

Existe também um monumento na praça Tiradentes em homenagem à República. No topo dela, há uma mulher que representa a república e, em destaque, está a estátua de Benjamin Constant Botelho de Magalhães, um dos militares que participaram do golpe republicano. Benjamin fundou em 1887 o Clube Militar, grupo que espalhou o ideal da república ao qual acarretou a queda da Monarquia.

Outros monumentos curitibanos também contam fatos. As fontes, além de jorrar água, transbordam a história da cidade. No Centro, a Praça Osório só ganhou um chafariz depois de 36 anos de sua fundação, em 1878. A Fonte da Praça Osório, datada de 1914, possui estátuas de sereias e de um cisne, trazidos da França. Foi reformada nos anos 1960, quando ganhou iluminação e aplicação de pastilhas verdes. Durante os verões curitibanos, é possível ver as crianças de rua fugirem do calor mergulhando em suas águas, e ainda, depois dos resultados dos vestibulares, ver calouros fecharem seus trotes no chafariz.

Estátuas de sereias e cisne trazidos da França compõem o chafariz da Fonte da Praça Osório desde 1914 (Foto: Caroline Giotti/RedeTeia.com)

Maria Lata D’água

Ao longo das comemorações dos 300 anos de Curitiba, a Fonte Maria Lata D’água foi inaugurada em 15 de maio de 1996, e está localizada na Praça José Borges de Macedo, nos fundos do Paço da Liberdade. Estruturada em concreto, o grande destaque da fonte é uma reprodução da escultura “Água pro Morro”, datada do início dos anos 40, de autoria de Erbo Stenzel, um dos mais importantes artistas plásticos do Paraná. A estátua possui duas réplicas, uma no Paço e outra no Museu Oscar Niemeyer.

Stenzel fez a escultura enquanto frequentava, no Rio de Janeiro, a Escola Nacional de Belas Artes. A modelo da obra foi Anita Cardoso Neves, que posava na escola. É comum confundirem a personagem da estátua com a passista Maria Lata D’Água, que sambava com 20 litros de água na cabeça desde os seus 18 anos no Rio de Janeiro.  

Sendo um dos poucos monumentos da cidade que representa uma pessoa negra, a mudança do nome da estátua para “Maria Lata D’Água” desagradou a comunidade negra de Curitiba. A principal crítica sobre o nome foi  que ele colocou a mulher em uma situação de trabalho duro e precário, e exposta no antigo pelourinho da capital, onde negros escravizados eram vendidos até o século 19.

previous arrow
next arrow
Slider

Deixe uma resposta