Canto indígena de crianças e adolescentes lota o Teatro Paiol

O espetáculo OCA contou com músicas tradicionais de diversas tribos indígenas cantadas em sua língua nativa, além da presença da cantora, compositora e pesquisadora Marlui Miranda 

O espetáculo OCA, protagonizado pelo coral Papo Coral e Cantateca, junto com a cantora e compositora Marlui Miranda, lotou o Teatro Paiol em sua temporada, que aconteceu na sexta-feira (18) e no sábado (19). Os 217 assentos do teatro foram preenchidos por um público interessado na proposta do espetáculo: mostrar um pedacinho da cultura indígena por meio da música.

As ondas dos rios interpretadas em Yu Paraná, dos índios Juruna e Wabaia Juruna, do Mato Grosso (Foto: Gabriela Vianna/RedeTeia.com)

“Quem está aqui é porque está interessado de verdade” afirma Marlui Miranda. A cantora, que adaptou e arranjou quatorze das quinze músicas apresentadas, começou a pesquisar e estudar a música indígena na década de 70 e continua, até hoje, tentando dar a cantores indígenas uma plataforma onde eles possam mostrar sua arte – “a eles cabe a voz deles” como foi dito no discurso de abertura do espetáculo, e mais tarde repetido por Marlui. 

 

Com duração de uma hora, o OCA apresentou músicas de vários povos indígenas do Brasil. A coreografia também foi inspirada em elementos da cultura desses povos. O motivo, diz Marlui, é mostrar que é possível incluir povos indígenas no ensino musical e tornar o Brasil um país musicalmente mais rico e mais inclusivo. O projeto se iniciou em 2009, em parceria com o Papo Coral e o Cantateca, e durante os dez anos de trabalho, muito esforço foi dedicado ao projeto, até a estreia de todo o trabalho, no Paiol. Desde o início deste ano, os corais se reuniram para ensaiar o repertório três vezes por semana, ressalvando os eventos especiais de ensaio — como foi o caso de um acantonamento, realizado em setembro na Biblioteca Pública do Paraná—.

O objetivo do evento era promover a pluralidade, tanto musical quanto cultural, do povo brasileiro e mostrar sua riqueza.  O espetáculo OCA foi realizado pela Paidéia Escola de Música, em parceria com outras instituições.

Araruna, dos povos Parakanã, do Pará (Foto: Gabriela Vianna/RedeTeia.com)

Marlui Miranda

Marlui é cantora, compositora e pesquisadora da cultura indígena nacional, onde foi premiada por seus trabalhos com as canções indígenas. Gravou vários álbuns, como a Missa Kewere e Ihu – Todos Os Sons. No último sábado, a 6ª edição do Prêmio Grão de Música consagrou 15 artistas nacionais, dentre eles Marlui com sua música “Rio Araguaia”. Quem recebeu o prêmio — em São Paulo, no Centro Cultural Olido — foi Ana Miranda, filha da cantora, enquanto ela participava do espetáculo OCA.

 

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