Cineastas negros se reúnem em Mostra de Cinema

Pela segunda vez em Curitiba, a Mostra de Cinema Negro Brasileiro tem por iniciativa fomentar um debate social sobre as etnias

A II Mostra de Cinema Negro Brasileiro, que tem início oficial na quinta-feira (01), teve sua primeira sessão exibida no Cine Passeio, sala Valêncio Xavier, na quarta-feira (31), às 19h15. Foram exibidos oito curtas-metragens de Everlane Moraes, sendo dois produzidos em Aracaju e o restante em Cuba, onde a diretora baiana estudou Cinema por três anos. 

Após a exibição dos filmes, aconteceu um bate-papo, no qual foram discutidos temas como a elaboração das personagens e dos documentários da artista.

Everlane também convidou o público para sua oficina “O Cinema e o Espelho”, que será ministrada entre os dias 01 e 03 de agosto, das 14h às 18h, também no espaço Valêncio Xavier do Cine Passeio. As inscrições estão abertas.

Na quinta-feira (01), Cine Passeio recebeu, além a mesa de abertura “O Cinema Negro como Construção de um Novo Imaginário”, uma sessão na Sala Luz, às 20h. 

Pelo segundo ano consecutivo, Curitiba abriga a Mostra que não conta com leis de incentivo cultural para ser realizada. Por isso, recorreu às “vaquinhas” online, a fim de alcançar as verbas necessárias para os gastos do evento. A vaquinha permaneceu aberta desde abril até julho, mas fechou ainda longe de atingir a meta. No entanto, o evento conseguiu o apoio de algumas instituições culturais.

A apresentação é motivada por três realizadores e produtores negros de audiovisual: Andrei Bueno Carvalho, Bea Gerolin e Kariny Martins, jovens estudantes de Cinema da Faculdade de Artes do Paraná. Em 2018, eles realizaram a I Mostra de Cinema Negro Brasileiro, que durou apenas três dias. Apesar da curta duração, a realização foi um sucesso, fator determinante para que continuassem o projeto.

Já neste ano, logo na abertura da sessão de quarta-feira (31), os três deixaram clara a relevância de difundir filmes dirigidos e protagonizados por artistas negros. Para Carvalho, esta iniciativa é fundamental. “Infelizmente, esse é um espaço que ainda não é nosso, e discutir o cinema e o mundo é montar um espaço de resistência”, afirma o produtor.

Everlane Moraes também não esconde a dificuldade que encontra neste meio. “É um Cinema difícil de fazer e difícil de exibir, meus filmes são bichos raros nos festivais”, relata. Apesar disso, a documentarista defende a importância do seu trabalho, pelo qual busca quebrar a antropologia visual tradicional. E define: “Cinema é estética, ética e política”.

Até a próxima quarta-feira (07), 50 curtas e médias-metragens serão exibidos no Cine Passeio e na Cinemateca de Curitiba. A programação completa pode ser encontrada nas redes sociais da Mostra.

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