O Dia Nacional do Futebol celebra o esporte de maior paixão entre os brasileiros

O futebol é praticado em território nacional por mais de 30 milhões de pessoas, números que refletem o amor do brasileiro pelo esporte. Alunos de jornalismo produziram um podcast contando sobre como as rádios paranaenses cobriram as Copas do Mundo, ao longo dos anos

No dia 19 de julho se comemora o Dia Nacional do Futebol. Estipulado em 1976, pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF), com o objetivo de homenagear o Sport Clube Rio Grande, fundado nessa data, mas em 1900. O time foi o primeiro registrado como clube de futebol no Brasil e é considerado o mais antigo em atividade no país. 

O esporte na era moderna com regras foi desenvolvido na Inglaterra, em meio a revolução industrial. Rapidamente se popularizou entre os operários e, inclusive, as escolas públicas inglesas passaram a adotar o futebol como prática. Em 1886, o Arsenal, um dos grandes clubes de Londres, foi fundado por funcionários de uma fábrica de armamentos; e o Manchester United, maior campeão da Premier League, surgiu a partir de ferroviários, ainda em 1878. Nesse período outros clubes surgiram e geraram rápido crescimento ao desporto.

Charles Miller, considerado o “pai” do futebol brasileiro (Foto: Reprodução)

No Brasil, o esporte foi introduzido por Charles Miller, brasileiro que foi estudar no país britânico. Lá se tornou admirador do futebol e quando voltou ao Brasil, em 1894, trouxe consigo duas bolas em sua mala. No ano seguinte, a primeira partida considerada oficial foi disputada, na Várzea do Carmo, em São Paulo: funcionários da São Paulo Gás Company contra os trabalhadores da estrada de ferro São Paulo Railway. O resultado foi 4 a 2 para a Railway.

Desde então o futebol foi ganhando adeptos no país e aos poucos o esporte considerado amador, profissionalizou-se. Em 1923, o Vasco da Gama reuniu desempregados, analfabetos e pessoas de baixa renda a maioria negros . Como o futebol era praticado pela elite, o fato de um clube ter inserido pessoas que fugiam ao padrão estipulado incomodou as classes de maior prestígio social. O passo do Vasco fez com que o futebol deixasse o amadorismo de lado e, até acompanhando uma tendência mundial, passasse a reconhecer os jogadores como profissionais. 

A profissionalização foi benéfica ao Brasil, pois permitiu que todas as classes tivessem direito a jogar. Essa mistura foi responsável pelo desenvolvimento do futebol, que, alguns anos depois, transformou o Brasil no país do futebol. Quando se fala em Seleção Brasileira, é impossível deixar de relacionar com Copa do Mundo – afinal, só nos tornamos o país do futebol pelos cinco títulos mundiais. Os egressos Guilherme Coimbra e Lucas Capanema fizeram uma série de podcasts intitulada “O som das Copas”, que conta as histórias das coberturas das rádios paranaenses em Copas do Mundo. O material se tornou o TCC da dupla. 

Da esquerda para a direita: Professor Luiz Witiuk, Guilherme Coimbra, Professor Hendryo André, Lucas Capanema e a Professora Katia Brembatti, em apresentação final do TCC (Foto: Arquivo pessoal/Lucas Capanema)

“Produzir esse podcast foi bem difícil, mas ao mesmo tempo foi muito prazeroso saber que estávamos dando uma contribuição muito grande para manutenção de parte importante da história do jornalismo paranaense”, explica Capanema ao lembrar a importância de se discutir o tema proposto por eles. Já Coimbra conta um pouco sobre os aprendizados levados na concepção do projeto: “Aprendemos bastante sobre a história da Copa do Mundo no rádio esportivo paranaense. E arrisco dizer que isso diz muito também sobre a história da crônica local. Principalmente pra mim, que trabalho com rádio, aprender sobre as diferenças e as dificuldades do rádio no passado. Hoje em dia é tudo muito tecnológico, as histórias mostraram o quão era difícil trabalhar com isso antigamente”.

Entretanto houve obstáculos, como a filtragem de todo conteúdo e os acervos cedidos, disse Capanema. “As principais dificuldades foram a ausência de dados concretos sobre a história do rádio esportivo paranaense nas Copas do Mundo.”, completou Coimbra. Apesar dos percalços, a dupla sente que o resultado obtido foi além das expectativas e que conseguiram deixar suas marcas acadêmicas e também para a cultura da crônica esportiva paranaense.

A série conta com 5 episódios, que narram desde o princípio da narração do esporte em rádio até os desafios que o rádio paranaense sofreu. O primeiro episódio de “O som das Copas”, intitulado “O Início” está disponível através desse link.

“Década de 90”, segundo episódio da série , conta a história da chamada grande época do rádio esportivo paranaense: a década de 90. O rádio chegou a cobrir três Copas do Mundo e teve uma equipe própria para as coberturas. O episódio está disponível através desse link.

Depois de seu período de ouro, a narrativa esportiva em rádio entra em declínio com a chegada dos anos 2000 e a internet. O mundial de 2002 era um desafio para as rádios locais, e apenas uma delas conseguiu cobrir o evento. Confira “Anos 200 E A Chegada da Internet”, terceiro episódio da série no link.

2010, primeira Copa realizada em solo africano, foi a última a ser coberta pela rádio curitibana. O fim das transmissões mundiais é o tema do quarto episódio, disponível nesse link.

Muito além de microfones e partidas de mundiais, as transmissões de rádio precisavam de muito planejamento e negociação. Gestores das rádios paranaenses contam esses processos, desde a mediação de direitos de transmissão até a própria viagem, no quinto episódio, chamado “Os Desafios da Gestão”. Ouça através do link.

Sexto e último episódio, “Lobardi, O Eterno” traz a história de Lombardi Júnior, considerado o maior narrador esportivo de todos os tempos nas rádios paranaenses. Confira o episódio no link.

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