Especialistas analisam as recentes manifestações políticas

O mês de maio já acumula duas manifestações, tanto a favor como contra as medidas implementadas na atual gestão do governo. Segundo especialistas, as manifestações tendem a atrasar decisões do governo

Nas últimas semanas grandes movimentações têm tomado as ruas do país. Desde o dia 15, aconteceram duas manifestações, uma a favor das reformas implementadas pela atual gestão do governo do Estado, e outra contra. Segundo o balanço feito pelo portal G1, o protesto da quarta-feira (15), contra a reforma da Previdência e o corte de verbas na educação, teve a adesão em 222 cidades em todos os estados do país, e o de domingo (26), a favor do projeto da Lei Anticrime e da reforma da Previdência, 156 cidades nos 26 estados brasileiros e no Distrito Federal.

Manifestantes pró-governo no domingo (30), na praça Santos Andrade (Foto: Franklin Freitas)

“A manifestação é parte do processo da democracia”, disse Emerson Cervi, doutor em Ciência Política pelo Instituto Universitário de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj). Para ele, o manifesto é comum na democracia quando alguma decisão incomoda a população, e serve como um meio para se alcançar os objetivos. Entretanto, somente participar de atos na rua não causa mudança imediata. A população deve também manter participação em setores políticos, como as decisões a serem tomadas no Senado, e, em âmbito regional, na Câmara Municipal.

Para o professor de teoria política Marcos Araújo, o governo federal não será afetado diretamente. “A não ser que uma manifestação tenha 1 milhão de pessoas, o governo continuará com suas propostas”, explicou Araújo. Em sequência, citou a insistência da população com relação aos atos, que, segundo ele, não irão acabar por conta de quaisquer mudanças que surjam além do objetivo da passeata. “No governo Dilma, manifestações surgiram de todos os cantos, e mesmo com mudanças rápidas implementadas para contê-las, os movimentos populares não pararam de crescer”, exemplificou.

Manifestantes contra o corte protestam na praça Santos Andrade (Foto: Victoria Sampaio/Rede Teia)

Araújo ainda apresentou uma perspectiva de resultado das manifestações. Ele acredita que o Congresso continuará posicionando-se favoravelmente às mudanças, mas, por conta da pressão recebida pela oposição, acabará por adiar a decisão final. Por fim, o professor afirma que as manifestações interferem na opinião daqueles que não participam dos atos. Quando milhares de pessoas vão para as ruas, a população dá maior atenção ao objetivo apresentado, e define se apoia ou não.

Nesta quinta-feira (30) está marcada uma manifestação contra o corte na educação e reforma da Previdência. Espera-se um movimento maior do que a de quarta-feira (15). Não há previsão de novas passeatas a favor da reforma e da Lei Anticrime, proposta pelo Ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro.

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