Mortes de ciclistas no Paraná aumentam 47% em um ano

Na semana do Dia da Bike ao Trabalho, levantamento publicado pela Setran mostra que número de ciclistas mortos no trânsito subiu de 98, em 2017, para 144, em 2018.

O número de ciclistas mortos no Paraná aumentou 47% no ano passado em relação a 2017. Dados do Projeto vida no trânsito, da Secretaria Municipal de Trânsito (Setran), apontam que em 2017, 98 ciclistas foram vítimas fatais no trânsito, número que subiu para 144 no ano passado. A maior causa continua sendo a falta de educação no trânsito.

Os dados foram divulgados na semana em que se inicia o Maio Amarelo, iniciativa mundial de prevenção a acidentes de trânsito. No Paraná, as ações começaram na manhã de quarta-feira (8), na Assembleia Legislativa do Paraná. O deputado estadual Goura Nataraj (PDT) dirigiu uma audiência pública para discutir “meios para redução de acidentes de trânsito no Paraná”.

Na audiência, discutiram-se também os dados do Setran. Apesar do aumento do número de mortes, houve também crescimento de usuários nos últimos anos. Um estudo feito pela Associação Transporte ativo e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) mostra que, em 2018, Curitiba teve mais novos ciclistas (11%) que a média nacional (7%).

O próprio deputado Goura Nataraj é entusiasma da bike. No começo do ano, na sua cerimônia de posse, ele fez um “bicicletaço” até a Assembléia Legislativa. “A bicicleta é um fator muito importante para a mobilidade urbana, para a saúde das pessoas. A partir da bicicleta pode-se discutir saúde pública, esporte, turismo e segurança pública. Então, vejo a bicicleta como um fator de geopolítica transversal”, explica.

 

Bicicleta como ato político
A estudante de Design Gráfico Nayra Chela, de 23 anos, começou a usar bicicleta em novembro de 2018. O hábito surgiu da necessidade de não depender do sistema de transporte coletivo no trajeto entre a casa, a faculdade e o estágio. “Nem todas as pessoas têm oportunidade de ter um carro ou de pagar a passagem. Quando a pessoa resolve utilizar uma bike, ela está indo contra um sistema”.

Ela também alega que o ato de usar bicicleta é resultado da conscientização ambiental. Sobre o aumento do número de ciclistas mortos, Nayra atribui à falta de educação no trânsito. “Os motoristas tomam parte da ciclovia de propósito. Muitos deles não sabem que o ciclista pode andar na rua, que o carro tem que ficar a um metro e meio de distância. Uma alternativa seria o investimento em ciclovias”, diz.


Luiz Felipe Cunha
é estudante do 3° período do curso de Jornalismo da Universidade Positivo.

 

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