Fundo de Financiamento Estudantil recebe cortes e prejudica estudantes

Em 2019, os R$ 500 milhões destinados pelo Ministério da Educação ao programa possibilitaram a oferta de 100 mil vagas em todo o país.

Na semana do Dia Mundial da Educação, data que busca conscientizar a população sobre a importância do conhecimento, a Rede Teia promove uma série de reportagens sobre a temática da educação. Entre os temas, há destaque para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies), programa criado pelo Ministério da Educação (MEC) que busca facilitar a inclusão de jovens de baixa renda em graduações particulares por meio do financiamento.

O Processo
O Programa oferece vagas semestralmente a jovens que prestam o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e que alcançam uma pontuação mínima de 450 pontos e não zeram a redação. Além disso, também possui os critérios socioeconómicos: a Modalidade Fies é voltada a estudantes que tenham renda per capita mensal familiar de até três salários mínimos. Já na Modalidade P-Fies se enquadram estudantes que tenham renda per capita de até cinco salários mínimos.

Beneficiada do financiamento, Ketlen Silva, de 22 anos, ex-estudante do curso de Nutrição na Universidade Positivo, evidencia que no período de sua graduação não teve muita dificuldade de pagar gastos externos da mensalidade. Além disso, comenta que em sua época não existia muita burocracia quanto a adesão do financiamento.

Em contrapartida, a estudante Marina Luvizotto, de 17 anos, que cursa Odontologia na Universidade Tuiuti do Paraná, conta sobre as dificuldades que teve no processo de inscrição do programa pelo sistema online: “Este ano teve uma falta de organização absurda, já que o sistema do Fies não estava conseguindo aprovar as inscrições e mandar as informações para o banco dentro do tempo de prazo, além de imprimir a chave de segurança”.

Marina também conta que no site pediam apenas três documentos, mas quando chegou à faculdade foram exigidos outros documentos. Sobre as dificuldades financeiras que enfrenta com os materiais da faculdade, ela conta que gasta bastante, pois os custos podem, em alguns períodos do curso, superar o próprio valor da mensalidade.
Redução

Nos últimos anos o fundo sofreu uma série de corte de vagas. Dados apontam que no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff (PT), o número de inscrições aumentou disparadamente de 76 mil, em 2010, para 733 mil, em 2014. Porém, no segundo mandato da petista, em 2015, apenas 287 mil estudantes foram beneficiados. A partir de então, até 2021, somente 100 mil contratos serão disponibilizados anualmente.

Por consequência da falta de contratos, as universidades particulares buscam alternativas para a inclusão de alunos, como é o caso do Quero Bolsa. O Fies por sua vez, mesmo com os cortes que vem recebendo, continua ajudando estudantes a realizarem suas graduações.

Ana Zampier, Isabela Sebrão e Isabela Miranda são estudantes do 1° período do curso de Jornalismo da Universidade Positivo.

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