Após declaração de Bolsonaro, especialistas defendem que ler Paulo Freire é um ato de revolução

Presidente avaliar reduzir os investimentos na área de ciências humanas. Desde a criação do movimento Escola Sem Partido e a eleição do governo de extrema direita, as ideias de Paulo Freire se tornaram centro da polarização política

Na semana em que se celebra o Dia Mundial da Educação, a figura icônica de Paulo Freire continua sendo muito citada. E não poderia ser diferente no Ciclo de leituras Paulo Freire – 50 anos da Pedagogia do Oprimido, evento realizado na manhã deste sábado (27), no Instituto Federal do Paraná (IFPR).

No evento, abordou-se que Freire defende que a escola seja um lugar de pluralidade de ideias e que o trabalho do professor não é “plantar” informações na cabeça dos estudantes, mas sim levar o aluno a conhecer verdades sem, no entanto, tomá-las como absolutas.

Tais ideias, criticadas abertamente por muitos políticos de direita, inclusive pelo próprio presidente Jair Bolsonaro (PSL), ganham fôlego especialmente no exterior. A principal obra de Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido, é a terceira mais citada em trabalhos acadêmicos da área de humanidades no mundo, de acordo com um levantamento feito pelo pesquisador Elliott Green, professor da Escola de Economia e Ciência Política de Londres.

O filósofo Pedro Eloi Rech, um dos palestrantes do seminário, acredita que quem procura destruir Paulo Freire é aquele que não o leu. “Aquele que é contra o ser humano, aquele que quer manter relações na sociedade completamente verticalizadas”, diz. Rech acrescenta que o pensador é extremamente amado por aqueles que o conhecem: “Em suas obras não se encontra nada além de utopia, de esperança e de construção humana”.

Para o professor, o método Paulo Freire é tão odiado porque quebra a relação tradicional entre professor e aluno. “Aqueles que conhecem a influência do pensamento freiriano na classe dominante odeiam Paulo Freire pelo trabalho de conscientização e de humanização que ele promove”, explica.

Com a declaração do presidente Bolsonaro de que o Ministro da Educação estuda descentralizar investimento em faculdades de Filosofia e Sociologia, estudar as ideias de Paulo Freire se torna cada vez mais importante. “Estudar Paulo Freire é cada vez mais um ato de revolução”, complementa o filósofo.

Ana Flávia Conte é estudante do 1° período de Jornalismo da Universidade Positivo

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