Escola pública de Curitiba desenvolve projetos de incentivo à educação

 

Sustentabilidade, diversidade, aproveitamento de alimentos, robótica e educomunicação são algumas das atividades que fizeram do Colégio Euzébio da Mota referência em Curitiba.

Uma escola pública que se propõe a fazer diferente. Esse é o mantra do Colégio Estadual Euzébio da Mota, localizado no bairro Boqueirão, em Curitiba. A instituição pública atualmente oferta 13 projetos aos mais de 1,1 mil estudantes dos ensinos Fundamental e Médio. Aberta a parcerias com empresas e universidades, a escola proporciona aos estudantes projetos transversais vinculados aos mais variados temas: diversidade, sustentabilidade, aproveitamento de alimentos, parlamento jovem, teatro, dança circular, jogos cognitivos, proteção animal, solidário, esporte e lazer, paisagismo.

A lógica de trabalho fez tanto sucesso que uma pedagoga e mestranda da Universidade Federal do Paraná (UFPR) resolveu desenvolver uma pesquisa no local. Elaine Trindade de Oliveira Ribeiro, que atua como pedagoga há 19 anos, garante nunca ter visto em Curitiba uma dinâmica pedagógica como a que encontrou no Euzébio. “Estou aqui observando os trabalhos e o aprendizado adquirido pelos alunos em projetos de pesquisa sobre assuntos de interesse deles para entender a riqueza dessa experiência”, conta.

Entre as preocupações da direção do colégio está a capacitação de professores e de estudantes. Uma parceria com a Universidade Federal do Paraná (UFPR), por exemplo, proporciona oficinas de capacitação para os professores da escola para que possam escrever produções científicas relatando as experiências pedagógicas. Já uma parceria com o curso de Jornalismo da Universidade Positivo (UP), oriunda de um Projeto de Iniciação Científica (PIC), visa identificar maneiras de incentivar e ampliar o interesse dos estudantes pelo hábito de leitura.

Estudantes desenvolveram propostas de textos para fanzine a partir dos principais temas oriundos do livro Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri (Foto: Gabrielle Bonat/Rede Teia).

Lucas Basílio e Gabriele Bonat, estudantes do 3° período do curso de Jornalismo da UP, atuam, sob a orientação do professor Hendryo André, no PIC. Junto com o projeto, que se apropria da metodologia da educomunicação, um recurso pedagógico que usa a linguagem dos meios de comunicação para proporcionar uma educação mais horizontal, inclusiva e criativa, os integrantes estão produzindo um documentário com a intenção de mostrar todo esse processo. Os alunos produziram um fanzine e foram incentivados a lerem o livro Eles não usam black-tie, de Gianfrancesco Guarnieri, obra trabalhada no primeiro ano do Ensino Médio nas aulas de literatura.

Um dos principais temas identificados na obra de referência pelos estudantes foi a relação entre pais e filhos. “No livro se aborda a relação entre pais e filhos e eles puderam contar um pouco sobre a realidade deles. Alguns têm relacionamento melhor e outros não”, diz a estudante de iniciação científica Gabrielle.

Na fase final deste projeto, os alunos vão produzir uma radionovela, também baseada na obra de referência. “A gente espera que os alunos continuem interessados e que o resultado seja interessante para que eles realmente possam gostar de ler”, espera Lucas, o outro estudante do PIC.

Os alunos irão nas próximas semanas roteirizar a história para a radionovela e, futuramente irão produzi-la na Universidade Positivo no dia 14 de maio.

Robótica

Coordenador de depois projetos, o professor de física e matemática Milton da Silva diz que a criatividade é a principal saída para promover a educação plena (Victoria Sampaio/Rede Teia).

 

O projeto de robótica envolve componentes eletrônicos e noções de física e matemática avançada. Por conta da falta de recursos, atualmente o programa apresenta problemas de estrutura, como falta de espaço físico, materiais e ferramentas adequados. O professor de física e matemática Milton da Silva, que coordena o projeto de robótica e também o de jogos eletrônicos, afirma que em escolas públicas os recursos sempre são escassos. “Costumo repetir para os alunos que quando faltam recursos, precisamos fazer sobrar criatividade”, diz.

Victoria Sampaio é estudante do 3° período do curso de Jornalismo da Universidade Positivo.

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