“Nenhuma a menos” reúne manifestantes em Curitiba

Ato alusivo ao Dia Internacional da Mulher promoveu atividades culturais e lembrou necessidade de se discutir constantemente as questões de gênero no Brasil

Como parte das atividades do 8 de março, Dia internacional da luta das mulheres, manifestantes se organizaram e foram às ruas de Curitiba para exigir respeito à vida das mulheres trabalhadoras. Segundo a organização do ato, entre 1 mil e 2 mil pessoas participaram do ato que teve início ao meio-dia, na praça Santos Andrade, com o primeiro Slam das gurias, ato de competição de poesias autorais feito por e para mulheres. Após uma marcha, iniciada em frente ao prédio histórico da UFPR, os participantes cruzaram todo calçadão da Rua XV de Novembro e finalizaram o ato na Boca Maldita.

Ainda na Santos Andrade, o ato contou com a participação da rapper e poetisa Lua Maria, vencedora desta primeira edição, e de Negra bee, poetisa surda que fez sua apresentação acompanhada de uma intérprete. O Slam das Gurias foi criado para que mulheres tenham suas vozes ouvidas e sua arte compartilhada, pois não é de hoje que milhares de mulheres são silenciadas.

Em um ranking com 83 países, Brasil é o quinto mais violento contra as mulheres
Em um ranking com 83 países, Brasil é o quinto mais violento contra as mulheres (Foto: Amanda Kawassaki/Rede Teia).

A concentração para a Marcha teve início às 16h00 e foi marcada pela presença de debates sobre violência de gênero sofrida diariamente, desigualdade social, racismo, luta de mulheres indígenas e o preconceito com pessoas LBTI+. De acordo com o Mapa da Violência 2015, o Brasil é um dos países onde as mulheres mais sofrem violência. Entre 83 países avaliados pelo estudo, o Brasil é o quinto mais violento. Já Monitor da Violência, levantamento organizado pelo G1, mostra que, em 2018, quase 1,2 mil mulheres foram vítimas de feminicídio no Brasil, um homicídio qualificado que ocorre eminentemente devido ao fato de a vítima ser uma mulher.

Um grupo indígena teve voz no debate com a presença de mulheres da etnia Kaigang, trazendo à tona a discussão sobre as dificuldades das mulheres indígenas, bem como o repúdio a comentários do presidente Jair Bolsonaro.

Nem mesmo a chuva foi capaz de parar o ato. Debaixo de marquises, com guarda-chuvas ou capas, as manifestantes continuaram a marcha rumo à Boca Maldita, local previsto para o fim da marcha e do último ato sobre a importância de vidas negras e a luta por um feminismo interseccional.

Cobertura
A Escola de Comunicação e Design da Universidade Positivo também marcou presença com o evento Mulheres que ocupam, que aconteceu na parte da manhã. O evento contou com rodas de debate sobre o encarceramento feminino e debate sobre trabalhos produzidos por alunas e egressos sobre mulheres e feminismo. A Rede Teia de Jornalismo fez a cobertura do 8 de Março pelo Facebook. Foram 28 lives durante a cobertura ao longo do dia. “Ano passado, quando eu trouxe a questão do lugar de fala, tanto para a sala de aula quanto para o grupo de professores, houve certo estranhamento. Era algo completamente novo. Já neste ano partiu do próprio grupo a questão de entender o lugar de fala da mulher no Dia Internacional da Mulher, seja na cobertura jornalística ou nas mesas. Em um ano, houve uma transformação de conceitos, de forma a termos um pensamento um pouco mais progressista”, explica a professora Sandra Nodari, uma das organizadoras do Mulheres que ocupam.

Amanda Kawassaki é estudante do terceiro ano do curso de Jornalismo da Universidade Positivo.

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