No Centro, a vida acontece

Esta reportagem é um trecho adaptado do “Fragmentadas”, Trabalho de Conclusão de Curso que reúne perfis de trabalhadoras do sexo na cidade de Curitiba. O texto foi produzido em 2017 pelas alunas Camilla de Oliveira e Dayane Ferreira, sob orientação do professor Hendryo André.

 

Os códigos da prostituição

A cada dia, milhares de pessoas atravessam, apressadas ou não, a Praça Generoso Marques, localizada no Centro da capital paranaense. Tipicamente curitibana, a região abriga lojas de roupas, lanchonetes, bancas de revista, uma floricultura e o prédio histórico do Paço da Liberdade, onde funcionava a antiga sede da prefeitura, de estilo neoclássico. Sob a estrutura de vidro que integra o cenário, mesas de alumínio acolhem quem quer tomar um café enquanto observa o movimento da Praça.

A escultura de uma jovem negra com uma lata d’água na cabeça divide espaço com o chafariz da Generoso Marques. Criada em 1944, por Erbo Stenzel, a obra “Água pro Morro” foi fundida em bronze e colocada no local em 1995. Mais do que retratar a influência da cultura negra no Paraná, a emblemática imagem serve de referência a quem cruza a região: exatamente ali, existe um dos mais tradicionais pontos de prostituição de Curitiba.

O primeiro contato com Carmem do Rocio Costa, presidente do Grupo Liberdade, deu-se ao lado do chafariz. A ONG que ela preside é responsável pelo acolhimento e conscientização de trabalhadoras do sexo que vivem na capital e na região metropolitana. A entrevista estava sendo adiada por conta de alguns imprevistos, como a cirurgia na coluna à qual Carmem havia se submetido pouco tempo antes.

O combinado inicial era de o encontro ser, por sugestão nossa, em um café da região. No entanto, após nos conhecer pessoalmente, Carmem revelou: “Me sinto mais à vontade aqui. A praça é minha casa”. Ela tem 58 anos, e os cabelos loiros, finos e curtos harmonizam com a pele clara e os olhos castanho-esverdeados. Durante orgulhosos 32 anos, trabalhou na prostituição. Hoje, se dedica integralmente à ONG e à família.

Chegamos à Generoso Marques pouco antes do meio-dia. O sol brilhava, apesar de o vento cortar a pele. Enquanto os ponteiros do relógio corriam, duas mulheres observavam atentas, ao lado da loja de flores, a movimentação de transeuntes. Mais tarde, elas seriam apresentadas: Luciane e Sandrinha, que moram juntas e “batalham” na praça diariamente.

Lu, como mais tarde pediria para ser chamada, nasceu em 1987. Morena jambo e de traços marcantes, trabalha na prostituição há cinco anos. No contato inicial, foi mais retraída; apenas deu um cumprimento rápido, sem olhar nos olhos, e voltou a se concentrar no fluxo de pessoas.

Já Sandrinha está na profissão há mais tempo, desde a década de 1970. Pequenina, tem pouco mais de um metro e meio e cerca de 38 quilos. Os cabelos são longos, pretos e lisos, e ela usa uma charmosa franjinha. No nariz, carrega um piercing de pedra vermelha, e, pelo restante do corpo, diversas tatuagens. A idade, não revela de maneira alguma. “Quantos anos vocês acham que eu tenho?”, questiona, brincalhona e curiosa. “Mais de 50?”, devolvemos a pergunta.

O mistério acerca da identidade também inclui o nome de batismo. Consagrada nas Praças Tiradentes e Generoso Marques como Sandrinha, alcunha que adotou ao entrar na profissão, hoje ela é mais conhecida pelo apelido de Barbie, recebido em 2012. “Fora a minha família, só a Carmem sabe meu nome verdadeiro, minha idade e onde eu moro”, comenta.

Sandrinha revelou-se extrovertida e bastante comunicativa, especialmente por estar perto de Carmem. As duas são amigas de longa data: Barbie é madrinha de Deyviane, filha da comadre, e presidiu o Grupo Liberdade de 1994 a 1997. Durante cerca de uma hora, ela e Sandrinha conversaram sobre os códigos da prostituição na capital paranaense, as ações da ONG e as memórias de uma amizade de décadas.

Conforme estimativas do Grupo Liberdade, cerca de 30 mil mulheres atuam como trabalhadoras do sexo em Curitiba e região – nem todas se dedicam exclusivamente à prostituição. Delas, aproximadamente cinco mil são diretamente ligadas à ONG. Outras tantas são impactadas de maneira indireta. “Você conhece uma, que conta pra outra… Assim vai”, Carmem explica.

Devido à grande quantidade de trabalhadoras, o número de clientes diminuiu. A crise econômica e o florescimento de novas práticas sexuais também foram fatores responsáveis pela queda nos lucros. Carmem explica que, na época das “vacas gordas”, elas faziam até 40 programas por dia. Isso acontecia porque as relações sexuais eram mais curtas e simples, resumindo-se ao tradicional. Hoje, a procura por profissionais que façam sexo oral e anal, por exemplo, é cada vez maior. As que não topam, perdem clientes.

Repentinamente, a conversa foi interrompida por um homem cujos cabelos já estavam brancos pela ação do tempo. De terno, ele distribuiu folhetos em que se lia uma mensagem religiosa da Igreja Pentecostal Deus é Amor. O texto afirmava que Deus é testemunha silenciosa de nossas ações terrenas, as quais, cedo ou tarde, serão cobradas. “Deus avisa das consequências do pecado: ‘Quem pratica pecado vai morrer!’”, dizia o papel. Antes de sair, o idoso nos encarou e, com naturalidade, disse: “Vocês são muito bonitas”. Instantes depois, Carmem disparou: “Ele achou que vocês são prostitutas”.

Retomando a prosa, as duas amigas narraram histórias sobre a repressão promovida pela “Polícia dos Costumes” contra trabalhadoras do sexo na década de 1970. Era preciso que alguém ficasse de tocaia para que, quando os policiais se aproximassem, as mulheres tivessem tempo de se esconder. As prostitutas eram caçadas e repreendidas por agentes, que, segundo Carmem, iam atrás de programas depois do expediente de trabalho. A situação só melhorou quando uma tenente se mobilizou contra a perseguição policial à qual as mulheres eram submetidas. Hoje em dia, são elas que fazem a própria segurança: “É cada uma por si”, comenta Sandrinha.

Enquanto o diálogo transcorria, Luciane permaneceu afastada, focada no trabalho. Parada ao lado da floricultura, na beira da calçada, ela foi abordada por cerca de cinco homens. Após rápidas interações, os potenciais clientes pegavam um cartãozinho e iam embora. Apenas uma das abordagens resultou, de imediato, em um programa. Lu e o homem deixaram a praça e retornaram cerca de 30 minutos depois.

Ao fim do papo, Sandrinha sugere a troca de contatos e entrega seu cartão de visitas, que estampa uma imagem sensual dela. “Não liguem para a foto, tá? É o meu trabalho”, diz levemente constrangida. Apesar de mais rápida e fragmentada do que o previsto, a primeira conversa com as personagens foi crucial para que detalhes intrínsecos à prostituição pudessem ser identificados e uma relação de confiança fosse construída. Nesse aspecto, a humanização tornou-se palavra-chave. Como analisa a presidente do Grupo Liberdade, elas são “Marias como todas as outras, mas com profissões diferentes”.

 

A Rainha dos ‘Dingos’

O segundo encontro com Sandrinha aconteceu por acaso, enquanto seguíamos para a Igreja Abba, da Rua Presidente Farias – o local realiza cultos voltados à população em situação de rua e a prostitutas. Ela estava na Praça Generoso Marques, sentada com a amiga Luciane ao lado do chafariz que fica entre a floricultura e o Paço da Liberdade. Tentávamos contato com ela há algumas semanas, mas, por causa da agenda apertada e de alguns imprevistos de Sandrinha, a entrevista estava sendo adiada.

Logo que nos viu, ela se desculpou pelos desencontros, mas, ao mesmo tempo, pareceu desconfiada com a produção do texto. “Vocês vão gravar? Como vão nos chamar neste trabalho?”, perguntou. Ela ouviu com atenção os detalhes do projeto e, quando soube que provavelmente usaríamos nele o termo “prostitutas invisibilizadas”, disparou: “Prefiro que vocês me chamem de profissional, trabalhadora ou empresária do sexo. É respeitoso e tem mais a ver com o século XXI, né?”, disse com um rápido sorriso.

Após alguns minutos de bate-papo, Sandrinha mostrou-se mais à vontade. Ela descreveu detalhes de sua relação com a Abba, igreja que frequenta regularmente. Falou da importância que os grupos de assistência têm na vida dos mais necessitados, principalmente na dos moradores em situação de rua. Explicou que, muitas vezes, a única refeição do dia desses grupos é fornecida por igrejas e ONG’s. Nesse aspecto, Sandrinha faz sua parte: arrecada alimentos e roupas para doar a quem vive nas ruas do Centro, especialmente na Praça Tiradentes.

Praticamente todas as noites, ela recolhe marmitas, lanches e até sopa de ônibus comunitários ou de instituições de assistência social para, na manhã seguinte, entregar a quem precisa. “De noite sempre tem comida porque é nesse horário que os grupos ajudam. O problema é de manhã e à tarde, quando o pessoal daqui fica sem ter o que comer”, relata. Pela preocupação e simpatia que nutre pelos moradores em situação de rua, ela recebeu o carinhoso apelido de Rainha dos ‘Dingos’.

“Vocês querem conhecer alguns dos meus amigos? Eu sempre ajudo eles, podem perguntar”, sugeriu empolgada. E assim Sandrinha nos guiou em um pequeno tour pela Tiradentes. Durante mais de uma hora, ela apresentou conhecidos e contou trechos da história de vida de cada um deles. Todos tinham trajetórias marcantes e sofridas. Sandrinha também fez questão de explicar aos amigos que iria participar de um projeto universitário sobre trabalhadoras do sexo. “Elas vão contar a minha história”, dizia cheia de orgulho.

Um dos amigos de Sandrinha é Eloir, que teve seu carrinho de recicláveis furtado quando foi ao banheiro do Passeio Público. Ele, que aparenta ter 60 anos, passa a maior parte do dia em frente à agência da Caixa Econômica Federal próxima à Catedral. Por ser grande, o carrinho servia não só como sustento, mas também como cama: Eloir e seus cachorros dormiam ali. Com o roubo, os animais foram embora, e o homem agora se obriga a dormir sozinho e praticamente em contato direto com a fria calçada de petit-pavé.

Para piorar, Eloir teve suas roupas e cobertores recolhidos na semana anterior pela Guarda Municipal de Curitiba. Ele conseguiu um outro carrinho, bem menor, mas a sensação de insegurança permanece: “Preciso comprar uma corrente e um cadeado pra não me roubarem de novo”. Mesmo com todas as dificuldades, Eloir não deixa de reconhecer a ajuda de Sandrinha: “Ela é uma pessoa muito boa, sempre traz comida pra gente e para pra conversar”.

Já Paulo tem praticamente a metade da idade do vizinho de praça, 27 anos. Ele vive nas ruas desde os 12, quando a família não aceitou o envolvimento com as drogas. Toda a vida do jovem cabe em uma mochila preta; ali estão escova de dentes, sabonete, xampu e alguns outros objetos pessoais. Paulo também carrega consigo os materiais que utiliza para desenhar e colorir suas ilustrações, que vende aos pedestres da Tiradentes a preços simbólicos (o mais caro custava R$ 5).

Nos desenhos, dois elementos se repetem: os corações coloridos com detalhes tribais e a palavra “Indianara”. Esse é o nome da mulher de Paulo; os dois vivem juntos nas ruas há cerca de dois anos. Na verdade, viviam até poucos meses atrás, quando ela deixou o companheiro por causa do crack – atualmente, Indianara, que tem 30 anos, está em uma “biqueira”, local em que os usuários da droga costumam se reunir. Para piorar o pesadelo, a mulher está grávida de cinco meses. Segundo Paulo, ela tem consciência dos riscos, mas prefere a pedra à gravidez. Apesar de tudo, ele tem esperanças de que a companheira retorne à praça e que, juntos, os dois possam cuidar do bebê que está para nascer.

Na Tiradentes, o crack é onipresente. Dezenas de usuários utilizam a droga a céu aberto, a qualquer hora do dia. Muitos deles se reúnem no entorno da Catedral e dividem pedra, comida, coberta e histórias. Sandrinha nos apresenta a um grupo de cinco usuários – duas mulheres e três homens –, que estão sentados um ao lado do outro, encostados na grade que cerca a igreja central. Eles são receptivos e calorosos, apesar de alguns aparentarem estar sob efeito da droga, com a fala desconexa e confusa.

Todos afirmam que Sandrinha é uma pessoa especial, não só porque dá comida para o grupo, mas principalmente pelo carinho e atenção que dedica a eles diariamente. “Eu poderia dizer várias coisas dela, mas tem uma palavra que define: preciosa. Ela é muito preciosa. Ela é bonita por dentro e por fora”, expressou Karina, que, conforme contou, estudava psicologia antes de viver nas ruas. Ao ouvir os elogios, Sandrinha ficou claramente emocionada. Com os olhos marejados, ela disse que amava os amigos e os abraçou.

Enquanto anda a passos curtos e rápidos pelo Centro da cidade, Sandrinha interrompe a conversa diversas vezes para cumprimentar amigos e conhecidos – homens e mulheres de diferentes idades. O ritual inclui beijo no rosto, abraço e uma rápida troca de palavras. Ela circula com naturalidade por todos os lugares: mostra o mercado e a academia que frequenta regularmente, apresenta o segurança de sua farmácia favorita, bate-papo com a funcionária de uma loja de empréstimos que fica bem em frente à Generoso Marques. Sandrinha também nos leva a um charmoso brechó, localizado em uma esquina da Rua Riachuelo, do qual é cliente há anos. “Sempre que tem algo com o estilo e tamanho dela, já deixo separado e a aviso”, explica a proprietária do local.

Sandrinha, ou Barbie, como é chamada com mais frequência pelos conhecidos, sabe que é uma pessoa muito bem quista. Sua presença já é peça-chave do cenário da Tiradentes. Orgulhosa e com um sorriso no rosto, ela olha lentamente ao redor e conclui: “Minha vida é aqui”.

 

Espaço de fé

Dia 28 de agosto de 2017, três horas da tarde. A segunda-feira está ensolarada, com os termômetros marcando cerca de 25ºC. Na Travessa Presidente Faria, número 282, o momento é de celebração: um coffee break exclusivo para mulheres acaba de começar na Igreja Abba. O encontro acontece apenas uma vez por mês e é muito aguardado pelas frequentadoras do local. Além da pregação de trechos da Bíblia, o evento promove a reflexão sobre diferentes temas, inclui atividades culturais e oferece um café da tarde caprichado. Aquele encontro, porém, tinha um detalhe que o tornou ainda mais especial: uma surpresa foi preparada para Luciane, que iria comemorar na Abba o aniversário de 30 anos.

O elemento mais marcante da discreta fachada da igreja, que não possui nenhum tipo de placa ou letreiro, é a cortina lilás que cobre todo o vidro da porta de entrada. Do lado de fora, duas mulheres recepcionam, com abraços e boas-vindas, as convidadas e recolhem os convites, nos quais se lê: “Venha participar de uma tarde especial. Queremos presenteá-la com um delicioso Coffee Break e muito mais. Sua presença é indispensável”. Aurora, uma das integrantes, garante que a celebração será memorável.

No local, estavam presentes mais de 30 pessoas, a maioria mais velha. Vera, funcionária da Abba, explica que a igreja tem um programa de apoio voltado especialmente à população em situação de rua e a trabalhadoras do sexo, mas que é aberta a toda comunidade. Apesar de não ser efetivamente divulgado, o projeto é bastante conhecido na região central da capital – a propaganda é feita por meio do boca a boca. De acordo com Sandrinha, naquele dia, cerca de 20% das participantes eram prostitutas. “Hoje, tem menos gente do que o comum. Muitas deixam de vir porque esse horário atrapalha o trabalho”, relata.

O tema do culto é libertação. A programação começa com uma rápida oração seguida de clipes de música evangélica e montagens com imagens gráficas de mulheres agredidas, exibidos em um telão. Em seguida, tem início um teatro com integrantes da igreja. Três personagens falam sobre os dramas que vivem. A primeira a entrar na sala é uma mulher com hematomas pelo corpo e um braço enfaixado. Ela é vítima de violência física por parte do marido e conta detalhes sobre as agressões.

Nesse momento, Sandrinha olha para nós com os olhos embotados de lágrimas, aponta para para o telão e cochicha: “Eu já passei por isso”. Mais tarde, ela falaria sobre como se sentia indefesa frente à violência física e psicológica a que era submetida rotineiramente em relacionamentos anteriores, principalmente durante a época em que era casada.

A segunda atriz carrega uma bolsa pequena e usa peruca, salto alto e maquiagem forte e borrada. Ela interpreta uma prostituta, que desabafa sobre a profissão: queixa-se por se sentir usada pelos clientes e confessa que, mesmo com a bolsa cheia de dinheiro, tem o coração e alma vazios; porém, reconhece, não consegue mudar o estilo de vida que leva. A última personagem usa burca e afirma se sentir como um objeto perante o marido e oprimida pela religião que segue.

Após as atrizes se posicionarem uma ao lado da outra, a pastora Marla, responsável pelos cultos, lê uma passagem da Bíblia: “E, vendo-a, Jesus a chamou e disse: mulher, estás livre…”. Ela prossegue comentando os dramas interpretados e, ao falar sobre a prostituta, declara que a personagem pode encontrar um trabalho que seja melhor. Nesse momento, Sandrinha, que estava com uma blusa curta, veste o casaco.

À medida que a pastora prossegue com a pregação, cada vez mais intensa, as três personagens se “transformam”: se libertam das faixas no braço, da peruca e da burca, respectivamente. Marla fala em línguas, as atrizes dançam, e os fiéis se emocionam. Sandrinha conhece a música de fundo, do cantor Fernandinho, e canta baixinho e muito emocionada: “Eu não sou mais escravo do medo…”.

Marla percebe que Sandrinha está com as emoções à flor da pele e ora olhando diretamente para ela. “A escravidão acabou!”, assegura, incisiva. Sandrinha não consegue conter os sentimentos. Com as mãos, enxuga as lágrimas que teimam em escorrer pelo rosto cansado. Este é o ápice do encontro, a “redenção” da fiel. Mais tarde, a pastora comenta conosco: “Sandrinha teme a Deus. E Ele vê isso, Ele sabe o quanto”. O grupo acredita que, por conta desse temor e respeito, Sandrinha será acolhida pela compaixão de Deus.

O culto segue com mais música, desta vez cantada por outra integrante da Abba. Neste momento, Luciane, que estava mais contida, acompanha Sandrinha na canção. Em seguida, a pastora convida a aniversariante a ficar em pé. Marla ora por Lu, que fecha os olhos enquanto escuta a bênção. Ela também recebe um mimo do grupo, que geralmente presenteia quem está completando anos.

O encontro se encerra com as participantes comendo os quitutes preparados para a confraternização. Salgadinhos, doces, refrigerantes e chá preenchem a longa mesa do café, preparada carinhosamente para a ocasião. Para alguns, aquela pode ser a única refeição do dia, por isso o coffee break é um dos momentos mais aguardados.

Na Abba, os encontros fixos mais procurados são os das terças, quintas e sextas-feiras. Nesses dias, geralmente são ofertadas refeições, como almoços e jantares. A igreja também promove atividades culturais, a exemplo do “dia do cinema” – com filmes não necessariamente religiosos – e até retiros espirituais. Porém, destes só podem participar os fiéis regulares.

O encontro de mulheres não é exclusivo; os homens também se reúnem mensalmente. A diferença é o número de participantes, que ultrapassa os 70. Sandrinha revela que a maioria vive em situação de rua e que alguns só visitam a igreja para garantir uma refeição.

A celebração daquela segunda-feira foi revigorante para as duas personagens, especialmente para Barbie. Extremamente emocionada, ela se viu em meio a um turbilhão de emoções. Medos, angústias e convicções foram postos  à prova, e a sensibilidade ficou à flor da pele. Após o culto, Sandrinha demonstrou sua vontade de diminuir o ritmo e viver na calmaria. Almeja curtir a família e os amigos e encontrar um amor para a vida. “Quero casar de pink. A festa toda será cor-de-rosa, ali na Abba mesmo”, descreve o sonho com brilho nos olhos.

Deixe uma resposta