Poder da palavra escrita é tema de debate sobre jornalismo literário

Camila Abrão

“O jornalismo faz com que você tente entender o mundo a partir do que ele não diz para você”, disse Rogério Pereira, editor do jornal o Rascunho na Mesa Jornalismo e Literatura, frase que definiu o clima do debate sobre o tema, que também contou com a presença do jornalista Domingos Meirelles. A mesa aconteceu nesta quarta-feira (7), na 40ª edição do Intercom.

Organizado e mediado pelo escritor Felipe Pena, o debate sobre jornalismo literário ocorreu no bloco Bege da Universidade Positivo. “Domingos prova que o ser humano está à frente do repórter”, disse Pena, ao apresentar o presidente da Associação Brasileira de Imprensa. O Rascunho, jornal criado há 17 anos por Pereira, foi citado pelo mediador como um exemplo real do “jornalismo de resistência”.

Pereira é o diretor da Biblioteca Pública do Estado do Paraná e viaja o país dando palestras sobre literatura. Primeiro a compartilhar suas impressões sobre o tema com a plateia que lotava o auditório, ele contou sua história para demonstrar o poder que a palavra escrita pode exercer na vida das pessoas. As histórias de Pereira e Mereilles se assemelham, ambos são de origem humilde e suas mães não tiveram a oportunidade de serem alfabetizadas. Ambos conseguiram superar as dificuldades.

Com uma carreira extensa no jornalismo, Meirelles, mais conhecido do grande público pelas reportagens de TV, principalmente pelo programa Linha Direta na Rede Globo, falou sobre seu processo de criação como escritor. “O registro do cotidiano também pode ser literário”, disse Domingos. Ele ressaltou a importância do retorno dado pelo leitor após ler suas obras: “O ato de escrever é uma doação”. Meirelles disse que se preocupa com o tipo de contribuição que trará para a vida do público com sua obra.

Resistência e Sucesso

A fala dos dois convidados deixou clara a importância da leitura em suas vidas. O Rascunho sobrevive falando sobre literatura e sem leis de incentivos, fato que mostra o teor de resistência na publicação. Segundo Pereira, as pessoas podem até consumir literatura, mas um produto que discuta essa literatura, não. O jornal tem mais de 40 mil leitores online, é impresso todo mês, chegou a sua 209ª edição e tem 2 mil assinantes, inclusive do exterior.

Além de sua conhecida carreira na televisão, Domingos Meirelles lançou dois livros: “As noites das grandes fogueiras” e “1930: Os órfãos da revolução”. As duas obras ganharam o Prêmio Jabuti. Meirelles ganhou, entre muitos prêmios, três Prêmios Esso, considerado o maior do jornalismo nacional. Para conferir mais sobre o evento, clique aqui.

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