Mesa “Jornalismo de resistência” critica posicionamento e discurso da mídia tradicional

Dayane Ferreira e Lucas Vasconcelos
A mesa “Jornalismo de resistência”, que aconteceu nesta quinta-feira (7), foi mediada pelo jornalista Felipe Pena e contou com a presença de George Marques, do Intercept Brasil, Cynara Menezes do blog Socialista Morena, e Raija Camargo, do Jornalismo de Resistência. Felipe iniciou dizendo que a composição da mesa é o que há de melhor em jornalismo de resistência atualmente no país.
Cynara, que já trabalhou em veículos como Veja e Folha de São Paulo, está engajada há alguns anos no jornalismo digital por meio de seu blog, o Socialista Morena. Para ela, a imprensa brasileira não é plural, representa apenas a elite, já que “precisa abarcar o pensamento da sociedade em geral, que represente todos os setores”. Segundo a jornalista, a imprensa do povo para o povo é difícil no Brasil e o blog surgiu para ouvir e dar voz àqueles deixados de lado pela mídia hegemônica, que, segundo ela, é engessada demais. Contudo, expor sua opinião lhe custa ataques pessoais diários. Cynara diz estar gratificada com seu trabalho, se sente útil perante a sociedade e completa que não sabe o que seria de nosso país hoje sem internet. Ela completa dizendo que os jornalistas de resistência precisam se fortalecer cada vez mais.
Já George, do Intercept Brasil, contou como é trabalhar nos bastidores de Brasília. Ele afirma que é um desafio tratar dos temas sem cair nas amarras de um jornalismo tradicional e que há dificuldade em atuar com este modelo independente, já que o profissional se envolve com o trabalho. Ele dá o exemplo da cobertura jornalística do processo de impeachment de Temer. Para George, “a estratégia de cobertura não foi feita para que as pessoas em casa entendessem”. Seu objetivo no Intercept é justamente o contrário, pois o modelo com que trabalha é “fundamentado”, afirma.
Raija foi introduzida na mesa por Pena por meio de uma carta que a jornalista e ex-modelo recebeu por email. A carta conta as dificuldades de uma jovem que sofre com distúrbios alimentares e que superou o problema por se espelhar no trabalho da jornalista. Segundo Raija, a mídia propaga e impõe discursos hegemônicos acerca do corpo da mulher, que se sujeita a eles por meio de editorias de moda, beleza e saúde. “O conhecimento nos ajuda a resistir a esses enunciados da mídia”, afirma a jornalista. Em seu trabalho de pesquisa do mestrado, a jornalista explorou esse tipo de editoria de jornais e constatou que não houve um dia em que não foram publicadas notícias sobre artistas estarem acima do peso ou com estrias, por exemplo. Este tipo de discurso, para Raija, é uma forma de violência simbólica e que a mídia usa de ferramentas para construir realidades sociais que interferem na vida de toda mulher, “tornando a mulher sujeita a seu corpo”. Ela questiona o papel do jornalista nessa questão e como a moda é representada na nossa área. Ela complementa que, ao realizar o seu trabalho, se sente útil às mulheres.
Antes de abrir as perguntas ao público, George acrescenta que o jornalismo fora do país é diferente pela questão da imparcialidade. Segundo ele, a parcialidade não é um problema para jornalistas e para a sociedade. Para ele, o jornalismo independente e de resistência está crescendo por, justamente, estar fora da bolha. Segundo Cynara, é essa bolha, ou seja, o conglomerado de veículos tradicionais, que levaram nosso país “ladeira abaixo”.
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