Alguns novos nomes da pesquisa em comunicação

Ana Tereza May e André Luiz Moraes

Quando falamos em pesquisa de Comunicação as áreas são diversas assim como os perfis dos pesquisadores. Escolhemos três pesquisadores, não só pela relevância de suas pesquisas, mas pelos diferentes cenários, maneiras e ritmos que desenvolvem seus estudos.

 

Professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) desde 2009, Rogério Christofoletti ministra aulas na graduação, passando pelo mestrado e doutorado. Além de mais de 60 artigos científicos já publicados — começando durante sua graduação sobre novas narrativas na pós-modernidade em graphic novel —, também escreve literatura. É autor de oito peças de teatro, tendo cinco delas já encenadas em palcos. Tem também um livro chamado, Os maiores detetives do mundo.

O pesquisador já trabalhou na área jornalística prática como repórter, assessor de imprensa e editor em jornais e revistas em São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Toda experiência profissional auxilia na pesquisa na medida em que chama a atenção para a prática e a reflexão da nossa profissão”, conta Christofoletti.

Começou sua carreira acadêmica em 2009 logo depois de terminar o mestrado, quando abriu um processo seletivo para lecionar em Itajaí. Nesse tempo ainda trabalhava como repórter, mas precisou escolher entre os dois. Christofoletti acabou optando seguir na academia por aparentar ter mais desafios.

O professor conta que desde 1999 sua principal linha de pesquisa é a ética jornalística, tema que já escreveu 11 livros sobre, entre eles, Ética no Jornalismo, onde divide um pouco da sua experiência como professor de ética jornalística. Christofoletti conta que sente um interesse infinito nessa linha de pesquisa buscando entender como as pessoas tomam decisões e como se posicionam em situações delicadas, acumulando valores que viram base para suas constituições pessoais.

Ainda sobre sua linha de pesquisa ele fala que muita gente o inspira e os respeitam muito, por isso não gosta de mencionar nomes. “Tenho a sorte de alguns até serem meus amigos”, explica Christofoletti.

Já sua expectativa para o quadragésimo Intercom o professor conta que esse evento tem um papel único no campo da comunicação brasileira e isso abre portas para eventos internacionais.

 

Ana Silvia Lopes Davi Médola é vice-presidente da sociedade Intercom, diretora da TV UNESP e livre-docente em comunicação televisual na mesma.

Começou sua carreira dentro de jornalismo aos 15 anos quando trabalhou na TV Vanguarda na cidade de Cornélio Procópio (PR), na época pertencente ao grupo Positivo. Trabalhou seis anos em veículos televisivos, passando de repórter à editora de texto, começando um ano antes e terminando um ano depois do curso de Jornalismo na UEL. Ao encerrar essa fase da sua carreira deu início a outra, a de professora.

Ana foi a primeira professora de rádio e televisão da UNESP. Na época em que foi contratada era graduada, não tinha titulação, isso porque para os concursos com titulação mínima de doutor e mestre não apareceram candidatos. “Os cursos de comunicação são muito recentes no Brasil, [datam do] início do século passado e mesmo assim poucos eram os professores com titulação, por consequência, eram poucos os pesquisadores e quando haviam, eram no eixo São Paulo e Rio de Janeiro”, explica.

Durante sua graduação entre 1981 e 1984 os estudos aprofundados estavam muito ligados a projetos extensionistas e também a participação em eventos científicos. “Naquele tempo, pelo menos na área de comunicação, não haviam ações voltadas, por exemplo, a iniciação científica”, diz.

Como professora entrou para a área de estudo da televisão e desenvolve análises sobre linguagem, sendo um de seus objetos de estudo a semiótica. Considera esta uma das disciplinas de valor inquestionável e que é importante para entender os sentidos propostos dentro dos processos de comunicação. Diz também que sua experiência no mercado de trabalho a ajudou a desenvolver a pesquisa, e mesmo o contrário. “Não existe prática profissional sem um conhecimento teórico”.

Além disso, acredita que a base teórica ajuda o profissional a conhecer melhor a área em que vai atuar. “Você não forma um profissional de comunicação sem que ele tenha uma clareza ou uma percepção mais crítica da sociedade onde ele vai atuar”.

Por ser professora e diretora da TV diz que não deixaria a vida acadêmica, não só por ter a oportunidade de envolvimento em tantas coisas, mas também pela satisfação de ensinar as pessoas. “É muito compensador formar profissionais para atuarem na sociedade”.

 

40º Intercom

Quando veio como congressista ao Intercom em 2009 a professora diz que se surpreendeu com a organização da Universidade Positivo, por isso a diretoria, a qual faz parte, optou por fazer novamente aqui para comemorar os 40 anos da entidade. “O congresso vai ser um momento de troca de ideias e de congregação” diz.

 

Filipe Bordinhão, 28 anos, é doutor pela Universidade Federal de Santa Maria e docente da Universidade Positivo.

Embora gostasse muito da questão prática da publicidade, que é sua área de formação, sempre teve interesse pela área de pesquisa.

No segundo semestre da faculdade foi monitor em Introdução à Pesquisa na Comunicação para ajudar os alunos a formatarem os trabalhos nas normas da ABNT, além de estudar questões da cultura gaúcha na mídia, ainda primeiro ano.

Depois entrou no PET, Programa de Educação Tutorial, um programa do governo federal que incentiva ensino, pesquisa e extensão onde também fez sua pesquisa de monografia, em 2010, já pensando no mestrado. Além disso, durante a graduação ainda participou de grupos de estudos com pedagogos com foco no PROUNI e REUNI, que cuidava do processo de reestruturação das universidades federais. A apresentar a monografia, já emendou o mestrado em 2011 e logo após o doutorado também, que foi defendido e aprovado na segunda-feira dia 3 de julho. Acredita que, agora com o doutorado em mãos, vai poder ajudar os cursos de comunicação a explorarem melhor a área da pesquisa.

 

Mesmo tendo experimentado a parte prática, sempre quis ser professor. Já entrou na faculdade sabendo que queria isso, embora tenha passado pelo mercado, sempre direcionou para o interesse pessoal. O fato de saber o que queria facilitou emendar todos os processos da vida acadêmica. E mesmo que sempre tivesse certeza de que quisesse ser professor, isso nunca o fez negligenciar a prática. “[Ela] é fundamental, principalmente na nossa área”, diz. Explica que sempre buscou conciliar os dois.

 

Passou pelo mercado estagiando na agência experimental do curso em Santa Maria e em outras fora. Além disso trabalhou como coordenador de comunicação em um grupo de educação.

 

Mas mesmo tendo conhecido a outra realidade, Bordinhão se diz um defensor da área acadêmica. “Uma das coisas que nos torna um profissional atemporal independente se você for trabalhar na academia ou no mercado é tua bagagem teoria, porque a prática é muito sazonal, especialmente no nosso campo que é atravessado pela questão da tecnologia, do cenário econômico, político e social”, explica.

 

Seu foco de pesquisa são os estudos de recepção/consumo. É entender o processo de comunicação pelo olhar de quem recebe.

 

Não por acaso, a pessoa que lhe inspira, Veneza Ronsini, é sua orientadora do doutorado e é referência em estudos de recepção na América Latina. Diz que como orientadora, ela consegue desenvolver muito uma autonomia do aluno.

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