FIES: Número de contratos cai 64,9% nas universidades de Curitiba

 

Em comparação a 2014, 2.665 vagas deixaram de ser ofertadas este ano. A média é baseada em dados das três universidades privadas da capital paranaense. Foto: Eduardo Vernizi
Em comparação a 2014, 2.665 vagas deixaram de ser ofertadas este ano. A média é baseada em dados das três universidades privadas da capital paranaense. Foto: Eduardo Vernizi

 

As mudanças feitas pelo Ministério da Educação no Fundo de Financiamento Estudantil (FIES) tiveram um profundo impacto nas instituições de ensino superior em todo o país. Dados levantados pela reportagem da Rede Teia mostram que o número de contratos firmados no primeiro semestre do ano caiu 66,8%.Em Curitiba, a queda foi de 64,9% comparado a 2014. Mudanças nos critérios de avaliação do Exame Nacional do Ensino Médio (ENEM) e corte de verbas do governo federal atrapalharam estudantes que buscavam uma vaga no ensino superior. Um fator decisivo foi o aumento na taxa de juros referente ao financiamento. Devido ao aumento da inflação, essa taxa subiu de 3,4%, em 2014, para 6,5%, em 2015.

A reportagem da Rede analisou os dados de novos contratos registrados pelas três universidades particulares de Curitiba: Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Universidade Positivo (UP) e Universidade Tuiuti do Paraná (UTP). Todas atingiram o recorde de contratos em 2014, mas este ano foram afetadas pelas alterações no sistema. A PUCPR teve a maior queda em relação ao ano passado: houve diminuição de 67% no número de vagas.

Os dados foram obtidos pela reportagem pela Lei de Acesso a Informação junto a Coordenação de Concessão e Controle do Financiamento Estudantil (COSIF).

 

Se contabilizarmos os dados dos centros universitários de Curitiba e das universidades, a queda na quantidade de contratos firmados foi de 66,5%. Na prática significa que 12.728 vagas deixaram de ser ofertadas nas 39 instituições curitibanas analisadas. Os maiores cortes ocorreram na Faculdade de Tecnologia Machado de Assis (FAMA), na Faculdade Profissional (FAPRO) e na Universidade Positivo. Na FAMA e na FAPRO, a redução de vagas do FIES é de 66,2%, enquanto que na UP esse número é de 63,9%. Ou seja, 5.765 estudantes deixaram de ingressar nessas três instituições.

O impacto do corte do FIES pôde ser notado, também, no Centro Universitário Curitiba – UNICURITIBA. A instituição disponibilizou, a quem solicitou o financiamento no ano passado, 228 vagas para o curso de Direito. Já em 2015, apenas cinco vagas foram ofertadas. Isso representa uma queda de 97,8% em contratos referentes ao curso mais tradicional da instituição.

Com relação ao cenário nacional, a queda do número de contratos do FIES foi de 66,8%, em comparação a 2014. Ou seja, 489.281 estudantes deixaram de ser beneficiados pelo projeto em todo o Brasil. Esse número representa 22,13% da quantidade de ingressos no ensino superior privado brasileiro, de acordo com o Censo da Educação Superior de 2013.

 

 

 

 

Soluções propostas

Para solucionar, em parte, o problema, as instituições ofereceram alternativas aos alunos. A Faculdade Estácio, por exemplo, permitiu que quem aguardasse a liberação do financiamento ficasse isento das mensalidades até o dia 30 de abril. “Se não conseguisse o FIES, o estudante poderia desistir e as mensalidades seriam canceladas sem qualquer cobrança de juros ou encargos financeiros, desde que comprovasse o impasse”, esclareceu a instituição, que ofertou 228 vagas para o FIES, neste ano.

Outra alternativa disponibilizada pela Estácio é o PraValer, um fundo de financiamento pertencente a um grupo privado. Segundo a faculdade, cerca de três mil alunos já concluíram a contratação desse financiamento. Outras instituições de ensino também utilizam esse modelo.

 

Nas três universidades de Curitiba, 35 % das vagas do FIES deixaram de ser ofertadas.
Nas três universidades de Curitiba, 35 % das vagas do FIES deixaram de ser ofertadas.

 

Novas Regras

O SINAES (Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior) é o órgão responsável por avaliar as instituições de ensino superior, os cursos que são ofertados por essas e também por avaliar o desempenho dos estudantes no Brasil, classificando-as com uma nota de zero a cinco, de acordo com as ações da instituição.

Neste ano, o Ministério da Educação determinou alguns requisitos para que os alunos possam adquirir o Financiamento Estudantil. Há regras que as intuições e os alunos devem cumprir. Um desses requisitos, determinados para as instituições, é de que as vagas ofertadas sejam de universidades/centros universitários/faculdades que tenham avaliação igual a 4 ou 5 pontos. Além disso, 25% dos cursos dessas intuições devem ter nota 5 na avaliação. Os cursos das regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão prioridades nas ofertas de vagas. Já os cursos de licenciatura, os da área da saúde e as engenharias deverão ter maiores números de vagas também.

O aluno que deseja participar do programa deverá ter 450 pontos na avaliação do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio) e não poderá tirar a nota zero na redação do Exame.

Ministério da Educação

A equipe da Rede Teia entrevistou os reitores José Pio Martins e Arnaldo Rebelo, da Universidade Positivo e da UNICURITIBA, para que eles comentassem sobre as declarações do ministro da Educação, Renato Janine, sobre as alterações do programa de Financiamento Estudantil.

 

Reportagem: Ana Santos, Camilla de Oliveira e Eduardo Vernizi.