Peça teatral fala sobre repressão policial nas manifestações de 2013

Para muitos as manifestações de 2013 foram apenas barulho, mas para outros elas foram muito mais que isso, como para a jornalista Maria Teresa Cruz que escreveu o drama “A ordem partiu de quem?” que teve sua estreia no Festival de Curitiba. A peça que fala sobre as repressões causadas nas manifestações de 2013, principalmente a do dia 13 de junho onde o fotógrafo Sérgio Silva – que foi atingido por uma bala de borracha disparada pela Polícia Militar de São Paulo e acabou perdendo a visão do olho esquerdo. Utiliza um palco completamente escuro com jogo de luzes nos atores, causando uma certa tensão e é quase toda focada nas acusações mutuas entre um policial e um manifestante.

Fazendo forte crítica à polícia militar, a roteirista diz que eles precisam mudar o seu conceito, pois a PM de São Paulo é uma das que mais mata hoje em dia, principalmente na periferia. “A gente precisa da polícia, no sentido de que precisa existir uma organização policial que preze pela segurança do cidadão. Mas será que essa polícia está fazendo isso?” Foram com essas palavras que Teresa passou a voz para Sérgio Silva, que estava apresentando em conjunto uma exposição de fotos sobre o ocorrido.

Para quem não conhece o caso, Sérgio foi atingido pela polícia durante o quarto ato do MPL (Movimento Passe Livre) no dia 13 de junho de 2013 enquanto trabalhava. Segundo o relato do fotógrafo, no momento em que foi atingido os manifestantes estavam dando palavras de ordem ao bloqueio policial na Rua da Consolação. Então, a polícia os reprimiu fortemente e começou a atirar.

Ele conta que pela forma como a polícia de São Paulo trabalha ele sabia que era possível acontecer essa repressão violenta, mas que não podia esperar e nem acreditar que eles iriam atirar no rosto das pessoas, ainda mais da imprensa. Após quase dois anos do ocorrido, Sérgio diz que o fato não mudou muito sua perspectiva sobre o trabalho, mas que reforçou um pensamento que ele já tinha.

“O papel da imprensa não é o papel de que algumas mídias antes de 13 de junho provocaram, fazendo editoriais em jornais ou manchetes televisivas condenando um movimento social, a mídia fez esse papel, fez o papel contrário”, comentou.

Ao falar sobre os direitos dos cidadãos, o fotógrafo foi claro. “A mídia tem que estar ao lado dos direitos do cidadão, e o aumento da tarifa é um direito legítimo, a questão do transporte é uma pauta digna da sociedade, e a mídia transformou aquilo como se os manifestantes estivessem na rua única e exclusivamente para fazer baderna. Para mim, a lição que eu tenho no jornalismo, como jornalista, só reforçou que a gente tem que defender os direitos de todos. De todos. Esse é o papel do jornalista.” Finalizou Sérgio.

Mariana Cardoso, 1º ano